A irritação de Lula com ação da PF contra Toffoli no caso Master

Atualizado em 14 de fevereiro de 2026 às 10:01
O presidente Lula (PT). Foto: Reprodução

O presidente Lula (PT) demonstrou irritação, nos bastidores, com o método usado pela Polícia Federal (PF) contra o ministro Dias Toffoli no caso Banco Master, após a revelação de que o magistrado foi citado em mensagens extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, conforme informações do colunista Igor Gadelha, do Metrópoles.

Segundo aliados, o petista avaliou que a investigação ocorreu sem autorização prévia do Supremo Tribunal Federal (STF) e de forma inadequada. Aliados relatam que Lula ficou “surpreso” com o fato de a PF ter cruzado informações e produzido um relatório sobre Toffoli a partir do material apreendido.

Em conversas reservadas, o presidente avaliou que o correto seria elaborar apenas um documento informativo sobre o conteúdo encontrado, sem avançar em análises.

“O presidente ficou surpreso com o método. A PF não pode confundir uma questão institucional com ambiente criminal. A discussão era institucional, e nunca criminal”, disse um aliado próximo.

O entendimento no Planalto também foi de que o assunto deveria ter sido conduzido institucionalmente por meio do Ministério da Justiça, ao qual a Polícia Federal é subordinada, antes de qualquer encaminhamento ao Judiciário.

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF). Foto: Reprodução

Entrega direta ao STF gerou críticas

O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, entregou pessoalmente ao presidente do STF, Edson Fachin, o relatório com as menções a Toffoli. Integrantes do governo consideraram que o material deveria ter sido submetido primeiro à Procuradoria-Geral da República (PGR), responsável por avaliar eventuais implicações envolvendo autoridades com foro privilegiado.

Apesar da discordância quanto ao método, auxiliares afirmam que Lula concordou que o melhor caminho para Toffoli seria deixar a relatoria do caso, o que ocorreu posteriormente, diante da repercussão.

Pessoas próximas ao presidente afirmam que a permanência do ministro poderia ampliar a crise e comprometer a imagem institucional do Supremo. A leitura no governo foi de que a situação havia se tornado sensível para a Corte.