A liberdade como discurso, a servidão como propósito. Por Miguel Rossetto

Atualizado em 16 de abril de 2026 às 16:59
O evento Fórum da Liberdade. Foto: Divulgação

Por Miguel Rossetto, deputado estadual, líder da bancada do PT

Com ampla cobertura da mídia local, ocorreu em Porto Alegre um autointitulado Fórum da Liberdade, realizado e financiado por grupos econômicos, midiáticos, setores financeiros, economistas ultra neoliberais e políticos da extrema direita brasileira.

O evento se revelou um verdadeiro Fórum da tirania.

A maioria das manifestações públicas defendia anistia aos golpistas, incluindo Jair Bolsonaro, e apoio a Flavio Bolsonaro. Como já fazem há muito tempo, discursam em nome da liberdade e da democracia para depois tentar golpeá-la. Não por acaso, justiça, direito, igualdade e respeito às diferenças foram ignorados.

A liberdade se tornou a primeira vítima do Fórum em meio à tietagem ao udenista Ronaldo Caiado, Romeu Zema, bolsonaristas, palavras de ordem contra Lula, festejos ao ex-ministro Paulo Guedes, propostas de impeachment de ministros do STF, apoio às guerras de Trump.

A liberdade entoada no Fórum tenta, na verdade, mascarar o desejo inconfesso de organizadores e participantes: liberdade para os poderosos e ricos, servidão para o povo.

Organizado pelo Instituto de Estudos Empresariais (IEE), com o patrocínio do Grupo RBS, Brasil Paralelo, Liberta, Gerdau, entre outros, o Fórum serviu de palco para ataques a qualquer forma de políticas públicas e programas sociais destinados às populações mais carentes e, claro, contra políticas distributivas, direitos sociais, trabalhistas, “gastos públicos”, taxação dos super-ricos, etc.

Flávio Bolsonaro no Fórum da Liberdade, em Porto Alegre. Foto: Divulgação

Foi em 1988 que o Instituto de Estudos Empresariais criou o Fórum da Liberdade como espaço de articulação do pensamento neoliberal – na esteira do Consenso de Washington, de Ronald Reagan e Margaret Thatcher – e de organização da extrema direita brasileira.

Desde então, tem reunido extremistas de diferentes linhagens, de Olavo de Carvalho a Nikolas Ferreira, passando por Sérgio Moro e a família Bolsonaro. Assim, ao lado de outros institutos da extrema direita, como o Instituto Millenium, tornou-se um dos responsáveis pelo que viria a ser a base do fascismo à moda brasileira, o bolsonarismo.

Em resumo, o Brasil projetado pelo Fórum e seus “pensadores” seria hoje uma cópia da Argentina de Javier Milei: concentração de renda, desigualdade e miséria crescentes, fim dos direitos trabalhistas e sociais, de políticas de distribuição de renda, saúde e educação públicas, com jornadas de trabalho de 12 horas, sem folga semanal. Ou seja, a destruição de um Estado social e a construção de um Estado para o Mercado, apoiado na violência da extrema da direita.

O evento encerrou, como não poderia deixar de ser, premiando o bolsonarista conhecido como “véio da Havan”, Luciano Hang, um extremista investigado por financiar os atos golpistas, e André Marsiglia, outro bolsonarista, advogado e comentarista da Brasil Paralelo e Revista Oeste, canais de comunicação da extrema direita brasileira, conhecido por atacar o STF.

A manifestação de estudantes da PUC durante o Fórum, organizada pelos centros acadêmicos da universidade, desmascarou o caráter antidemocrático do Fórum da Liberdade. Em carta distribuída no ato, os estudantes afirmam toda sua inconformidade com a presença no campus de “figuras extremistas que propagam fake news e ódio às mulheres, LGBTs e negros e negras, e também convidados que atentam contra o estado democrático de direito”.

Não foi um Fórum da Liberdade, mas um Fórum da Tirania que envergonha Porto Alegre.

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