A lição de Galileu para os negacionistas da ciência, como Osmar Terra

Galileu Galilei demonstrando as novas teorias astronômicas na Universidade de Pádua. (foto: Félix Parra – 1845)

Durante depoimento à CPI da Covid nesta terça-feira (22), o deputado federal Osmar Terra (MDB-RS), ex-ministro do governo Bolsonaro, foi chamado de “um dos líderes do negacionismo” pelo relator, senador Renan Calheiros (MDB-AL).

Renan lembrou de Galileu Galilei, considerado o “pai da física moderna”, que foi obrigado a renegar a ciência para não ser morto pela Inquisição Católica Romana, após sua segunda condenação, em 1633.

O senador citou o livro ‘Galileu e os negacionistas da ciência’, do astrofísico romeno Mario Livio, que faz uma nova leitura sobre as descobertas de Galileu e compara a resistência que o cientista enfrentou na época ao negacionismo propagado hoje pelos bolsonaristas.

Na obra, o autor ressalta que a oposição à ciência deixou de ter um aspecto majoritariamente religioso e adquiriu um cunho político.

Em entrevista à BBC Brasil, o astrofísico afirma: “Quando falamos sobre a negação das mudanças climáticas hoje ou olhamos para algumas das respostas iniciais à pandemia do Covid-19, fica claro que essas ações são motivadas em grande parte por conservadorismo político”.

Ele diz que, atualmente, “as motivações são diferentes, mas o efeito é o mesmo, porque significa que a ciência está sendo posta de lado e os conselhos gerados com base científica não estão sendo levados a sério”.

Desde os primeiros casos de covid no Brasil, Osmar Terra tem espalhado uma montanha de fake news, com declarações que minimizam a gravidade da doença. Em março de 2020, ele afirmou que o vírus iria embora do Brasil em três meses.

Já no início deste ano, sugeriu que toda a população contraia coronavírus para atingirmos a “imunidade de rebanho” mais rapidamente.

De acordo com Mario Livio, o negacionismo de figuras como Jair Bolsonaro, Donald Trump e Osmar Terra é mais “perturbador” em relação àquele que predominava na época da Inquisição.

“No tempo de Galileu, claro que houve grandes consequências pessoais para ele devido aos que negavam suas descobertas. Ele ficou em prisão domiciliar durante oito anos e meio e seus livros foram proibidos. Hoje, no entanto, estamos falando de muitas vidas humanas”, declara.

“Nunca foi uma boa ideia apostar contra a ciência. Mas quando vidas humanas e o próprio futuro do planeta estão em jogo, essa aposta fica ainda mais injusta. Essa é uma lição importante que podemos aprender com o caso de Galileu.”