A lição de Ricúpero: abanar o rabo para outro país nunca rendeu bons negócios ao Brasil

Ricúpero e Bolsonaro

PUBLICADO ORIGINALMENTE NO MONITOR MERCANTIL

Embaixador nos Estados Unidos no início da década de 1990, Rubens Ricupero se reuniu com a então representante comercial norte-americana (USTR), Carla Hills, logo após o presidente da época, Fernando Collor, abrir o mercado brasileiro.

Em entrevista à revista Globo Rural, em fevereiro de 2017, Ricupero relata que foi ao encontro confiante, já que o Brasil atendera, sem contrapartidas, a mais de 90% das solicitações dos EUA. Conta, porém, ter ouvido “um discurso duro, citando teorias econômicas, sobre como o Brasil não acompanhava o livre comércio”.

O embaixador ainda esboçou uma pergunta: “Poderia me indicar nos livros onde diz que o suco de laranja concentrado e congelado não cabe nessas belezas do comércio livre?” Carla Hills deu uma gargalhada e disse: “Mr. Embassador, em matéria de suco de laranja concentrado e congelado, a autoridade para nós é a bancada da Flórida.”

Nunca é bom esquecer: estudo realizado por Rafael Dix-Carneiro (da Duke University) e Brian K. Kovak (da Carnegie Mellon University, ambas nos EUA) encontra evidências empíricas de que a liberalização comercial brasileira dos 1990, decorrente da forte redução de tarifas de importação, teve impactos prejudiciais sobre emprego no país até 2010 (pode ter sido mais, porém o estudo terminou naquele ano).

 

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