A lição que o candidato derrotado na Argentina deu para Aécio. Por Paulo Nogueira

Soube perder: Scioli, o candidato derrotado na Argentina
Soube perder: Scioli, o candidato derrotado na Argentina

Daniel Scioli perdeu as eleições na Argentina por uma margem parecida com a de Aécio no Brasil: ele teve cerca de 48,5% dos votos. Macri, o vencedor, teve cerca de 51,5%.

Mas as diferenças, lamentavelmente para o Brasil, terminam aí.

Scioli fez o que qualquer candidato derrotado deve fazer numa democracia: aceitou a vitória do adversário.

Os eleitores optaram por tirar o kirchnerismo do poder na Argentina? Que se faça a vontade soberana do povo.

Isso dá estabilidade a uma democracia. O embate vai até as urnas. Depois delas, os vitoriosos vão cuidar de suas responsabilidades e os perdedores vão se reorganizar para tentar uma vitória na próxima.

É o que Scioli fez.

Não é exatamente uma grande novidade, mas é uma lição para Aécio, que se comportou como um delinquente golpista desde que perdeu.

A tentativa de golpe se iniciou logo de cara, com acusações absurdas de irregularidades nos votos eletrônicos.

Quer dizer: os votos que elegeram Alckmin eram impecáveis, mas os que deram um novo mandato a Dilma eram fabricados ou coisa parecida.

A partir dessa base ridícula, Aécio e seu PSDB não pararam mais de querer transformar o país numa republiqueta onde os votos podem ser obliterados.

Aécio aliou-se, em determinado momento, a Eduardo Cunha em seu macabro projeto de cassar 54 milhões de votos.

Não fossem as autoridades suíças, com suas provas de corrupção devastadoras contra Cunha, e os dois ainda estariam de braços dados para fazer o que os militares fizeram em 1964, por outras vias.

Não se deram bem, felizmente.

Aécio perdeu porque é um candidato ruim, sejamos realistas. Ele foi abjetamente favorecido por toda a mídia. Nas vésperas das eleições, a Veja produziu uma capa criminosa que, exaustivamente exposta em São Paulo, carreou dezenas, centenas de milhares de votos para Aécio.

A revista disse que um delator disse que Lula e Dilma sabiam de tudo no caso Petrobras. Era mentira, como se viu quando o real depoimento do delator veio à luz.

Mesmo assim, e com os inesquecíveis vazamentos seletivos da Lava Jato que fizeram a alegria dos barões da imprensa, ele conseguiu apanhar.

Teria perdido com dignidade se aceitasse o resultado. Mas não. Comportou-se imediatamente como um golpista.

Se existe alguma justiça neste mundo insano, Aécio vai pagar o preço pelo mal que fez à democracia – e ao Brasil.

A crise econômica talvez fosse mais branda não fosse a brutal instabilidade política trazida por Aécio.

Que os brasileiros não esqueçam isso.

Você vê Scioli, o argentino que perdeu, e tem a dimensão da atitude antidemocrática de Aécio.

Ele tinha que ter reconhecido a vitória de Dilma na hora certa. Não adianta agora ele recuar do impeachment e das pretensões golpistas.

Seu golpismo impenitente já está registrado na história política do país como um dos seus capítulos mais tenebrosos e mais repulsivos.

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