A lista dos bandidos de Moro não tem milicianos. Por Moisés Mendes

Depois de ver fracassar sua ideia do Programa de Defesa do Cigarro Nacional, Sergio Moro lança sua grande obra, a lista dos bandidos mais procurados do país.
Eis a mensagem do ex-juiz no Twitter:

“A SEOPI/MJSP elaborou, com critérios técnicos e consulta aos Estados, a lista dos criminosos mais procurados. A lista ajudará na captura, e segue a orientação do PR @jairbolsonaro de sermos firmes contra o crime organizado”.

O que vem a ser a SEOPI/MJSP? Talvez pouco interesse. O que importa são dois detalhes da mensagem: o primeiro é a bajulação dirigida a Bolsonaro.

O ex-juiz sempre se apresentou como o caçador de bandidos no governo. Agora, o chefe é o xerife atrás do crime organizado.

Só os muito entendidos conhecem os bandidos da lista. O jornal DCM anota que estão na relação Xixi, Pingo, Carcará, Patrão, Fuminho, Maria do Pó e João Cabeludo. Todos perigosos.

Moro nos oferece uma lista literária, com nomes que imitam personagens dos contos de João Antonio. Parecem bandidos do período romântico, dos anos 60 e 70, com apelidos, e não com sobrenomes, como os bandidos de hoje.

E os entendidos em bandidagem apontam para o segundo detalhe da lista de Moro: não há, entre os 26 nomes, um miliciano dos grandes, um só, no cadastro do ex-juiz. Por quê? Talvez porque os milicianos têm sobrenomes.