A má fé cínica com que o Globo vem noticiando o ‘triplex do Lula’. Por Paulo Nogueira

Lula
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Publicado há um ano e atualizado em 28 de janeiro de 2016.

Lula não é Mujica, sabemos todos.

Mas quem é? Francisco, o papa. E vamos parando por aí.

Isto posto, é absolutamente canalha o destaque dado pelo Globo à informação — de resto desmentida com copiosa documentação — de que Lula tem um tríplex no Guarujá.

É o tipo de coisa que, editada desonestamente, só serve para alimentar a ignorância estridente dos analfabetos políticos de direita.

Vamos começar pelo seguinte: Lula teria condições para comprar um apartamento avaliado em 1,5 milhão de reais?

Ora, Lula é um dos palestrantes mais bem remunerados do mundo. Palestras de estrelas do circuito mundial giram em torno de 100 mil dólares.

Isso quer dizer o seguinte: com um punhado de palestras, não mais que isso, ele poderia comprar um apartamento como o que o Globo, com a Veja na esteira, noticiou com alarde. (Poderia comprar não quer dizer que tenha comprado.)

Fora isso, Lula tem seus benefícios de ex-presidente. Finalmente: 67 anos é uma idade em que pessoas bem sucedidas como ele, ou muito menos que ele, podem já ter acumulado um respeitável patrimônio legítimo.

Muito mais estranho, para ficar em imóveis e na Globo, foi a notícia de alguns meses de que a apresentadora Patrícia Poeta estava comprando, aos 38 anos, um apartamento 15 vezes mais caro na avenida Atlântica, no Rio.

Ainda no campo imobiliário, por que o apartamento atribuído a Lula é notícia, para o Globo, e o de Joaquim Barbosa em Miami não?

O valor é mais ou menos o mesmo, segundo se noticiou. Com o detalhe de que, para fazer a compra em Miami, Joaquim Barbosa inventou uma pessoa jurídica que lhe permitiu fugir de impostos americanos.

Este tipo de comportamento – denúncia é contra aqueles de quem não gostamos – ajuda a entender a imensa rejeição que tantos brasileiros têm pelas grandes empresas jornalísticas.

O Globo ludibria seus leitores ao não colocar a questão do apartamento sob o devido contexto.

A Veja, ao reproduzir o Globo, faz o que sempre faz: panfletagem, em vez de jornalismo. E o resto, bem, é o resto. Na Jovem Pan — que vai se tornando reduto do que há de mais reacionário na mídia — Rachel Sheherazade falou sobre o “chiquérrimo” apartamento de Lula, e conseguiu citar seu irmão de alma Rodrigo Constantino.

Constantino escreveu, segundo Sheherazade, que se Boulos, do MSTS, souber do triplex, pode ter a ideia de colocar lá várias famílias de sem teto. Bem, o tamanho do imóvel, segundo o Globo: 297 metros quadrados. A sala de Roberto Marinho, na sede da Globo, na qual estive mais de uma vez, tinha mais que isso.

Lula é uma saudade para milhões de brasileiros e para a mídia, que não se conforma com isso, uma obsessão.

A tal ponto chega tal obsessão que hoje no site da Folha Ronaldo ‘Quem?’ Caiado ficou por várias horas na primeira página.

O que ele fez para merecer a honraria?

Disse, do alto de sua clarividência, que Lula não tem “a menor chance” em 2018. O morto-vivo Caiado descobriu que para ser objeto dos holofotes basta falar mal de Lula.

Fazer previsões sobre 2018 agora, quando Dilma sequer iniciou o segundo mandato, remete a uma frase clássica de Keynes. “A longo prazo estaremos todos mortos.”

As grandes empresas de jornalismo, com sua obtusidade desonesta, provavelmente estarão mortas em prazo mais breve, para o bem da sociedade.

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