A manchete contra Moro que a Folha não deu. Por Moisés Mendes

A manchete da Folha de S.Paulo sobre a Vaza Jato. Foto: Reprodução

Publicado originalmente no blog do autor

A Folha parece envergonhada com a própria manchete:
“Moro contrariou padrão da Lava Jato ao divulgar grampo de Lula, indicam mensagens”

Contrariar o padrão é um jeito tucano de dizer que Moro agiu sempre para perseguir Lula, ao divulgar apenas os grampos que interessavam ao plano do lavajatismo.

Esta deveria ter sido a manchete:
“Moro só divulgava os grampos contra Lula”

Moro divulgou os grampos que fez de Lula, incluindo a conversa do ex-presidente com a presidenta Dilma Rousseff, porque aqueles eram os grampos que favoreciam a caçada.

A própria turma do Ministério Público na Lava-Jato fez o levantamento em 2016, vazado por troca de mensagens entre os envolvidos no conluio.

A nova revelação da Folha, baseada no material obtido pelo Intercept, que apenas reafirma o que já se sabe: Moro só queria dar publicidade aos grampos de Lula. O Intercept conseguiu mais uma prova do modo de agir do ex-juiz:

“O levantamento da Lava Jato (de 2016), que analisou documentos de oito investigações em que também houve escutas telefônicas, indicou que somente no caso do ex-presidente os áudios dos telefonemas grampeados foram anexados aos autos e o processo foi liberado ao público sem nenhum grau de sigilo”.

Diz a Folha: “Nos outros exemplos encontrados pela força-tarefa, todos extraídos de ações policiais supervisionadas por Moro na Lava Jato, o levantamento do sigilo foi restrito. Apenas os advogados das pessoas investigadas puderam ter acesso aos relatórios da PF e aos áudios com as conversas interceptadas”.

Mas, ao invés de dizer que Moro só divulgava os grampos de Lula, a Folha decidiu passar o pano na própria manchete e sair com essa de que o ex-juiz contrariava “o padrão” da Lava-Jato. Mais um pouco e o jornal pede desculpas pela descoberta que fez ao analisar as mensagens.

O que importa é que o conluio lavajatista se manifesta em várias frentes. O levantamento do MP tentava provar, lá em 2016, que Moro divulgava tudo. Saiu pela culatra. Moro era seletivo contra Lula.

Dallagnol, o prestativo, quis ajudar o chefe, ao dizer que Moro era um vazador compulsivo, mas se deu mal. Moro escolhia o que vazar. O ajudante de Bolsonaro era o justiceiro encarregado pela direita de pegar Lula.

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