A matéria sobre Heloísa Bolsonaro é uma grande fofoca que só vai dobrar o preço de seu coaching. Por Kiko Nogueira

Jair e Eduardo Bolsonaro atacam a matéria da Época sobre Heloísa Wolff

A mulher de Eduardo Bolsonaro, Heloísa Wolf, avisou no Instagram que vai processar um repórter da Época.

Ele se passou por cliente de seu “coaching de autoconhecimento” para escrever uma matéria. Foram cinco sessões via webcam, de uma hora e meia cada.

“João logo se apresentou como apoiador do Bolsonaro, homossexual e que, embora já tenha sido mais próximo do espiritismo, hoje possui muitos amigos ateus e se vê afastado da espiritualidade”, escreveu Heloísa.

“Mal intencionado desde o início, com certeza ele queria provocar respostas polêmicas da minha parte ou mesmo anti-éticas, o que não obteve.”

A reportagem é um saco vazio. Uma imensa e irrelevante fofoca.

A psicóloga menciona seu casamento com Eduardo e os planos para Washington, elogia o presidente e a sogra, Rogéria, a quem chama “parceira de vida”.

Chega a contar de uma conversa com o presidente do BNDES em torno da suposta “caixa-preta”. Fica nisso.

Recomenda sites bolsonaristas para o sujeito.

O repórter a elogia: “A escuta de Heloísa foi atenta, e há inúmeros detalhes verdadeiros sobre meu cotidiano que ela demonstrou ser capaz de recuperar conforme as sessões se acumularam”.

“Agora, posso dizer que bebi da mesma fonte de aprendizado de Eduardo Bolsonaro”, conclui o autor. Deveria ser uma ironia, suponho.

O clã foi às redes e fez um fuzuê. Jair faturou com a história e acusou a “imprensa sem limite”.

Eduardo se vitimizou: “Minha esposa @heloisa.bolsonaro foi enganada por um mau caráter que se diz jornalista da Época/Globo, João Paulo Saconi, e que usou de sua boa fé e do seu profissionalismo para manipulá-la e fabricar matéria com o único intuito de assassinar a reputação de qualquer um que esteja próximo do Presidente.”

Houve quem comparasse o trabalho de João ao de um jornalista que se infiltra na máfia. Não é a mesma coisa.

Aliás, por que essa “imersão” não foi feita numa milícia, por exemplo? Aí teríamos um exemplo de coragem e relevância. Não num chat com uma dondoca.

A Época já havia usado esse truque quando um colaborador fez o curso idiota de Olavo de Carvalho sem avisar ao guru de suas reais intenções.

O resultado foi uma peça em capítulos (santa pretensão) mostrando que o curso de Olavo é idiota. O DCM publicou o depoimento de um ex-pupilo do astrólogo, Carlos Velasco, melhor e mais honesto.

Quem defendeu a Época preferiu ignorar que ela pertence à Globo, a mesma que publicou um vazamento do Coaf com movimentações financeiras de David Miranda, marido de Glenn Greenwald, de forma desonesta.

Com os Bolsonaros, em tese, vale tudo. Não vale.

Essa patacoada que consumiu dez páginas de revista (Jesus, pobres árvores) fez um favor aos Bolsonaros e, sobretudo, a Heloísa.

A nora do Jair vai ganhar lista de espera e dobrar o preço da consulta. Sucesso absoluto.

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