A mentira de Temer sobre sua mulher é mais um sinal de um governo fraudulento em qualquer área. Por Kiko Nogueira

Atualizado em 17 de maio de 2016 às 17:07
Temer e a mulher, Marcela
Temer e a mulher, Marcela

 

O governo do interino é natimorto e o culpado é ele mesmo, o mordomo. Muito se ouviu falar das virtudes de Temer como articulador político. Ao contrário da titular, ele sabia compor, conversar, negociar etc — enfim, tudo aquilo que ela não sabia.

Delfim Netto, para ficar num exemplo eloquente, cravou que o interino “é um dos últimos políticos do país capazes de fazer tricô com quatro agulhas”.

Para ele, “Temer é treinado e sabe que só o político pode salvar o economista. Assim, poderá fazer alguns ajustes durante dois anos para convencer a sociedade de que o equilíbrio voltará em 3 ou 4 anos. Se aproveitar essa chance e conseguir fazer isso, poderá se transformar em um estadista.”

Delfim, como de hábito, estava redondamente enganado. O ex-vice não consegue se proteger de sua própria incompetência.

Em menos de uma semana no poder, o ministério — com sete investigados na Lava Jato, sendo que Romero Jucá é réu — bate cabeça enlouquecidamente.

Alexandre de Moraes, que levou seu currículo de espancador de estudantes de São Paulo para Brasilia, muito à vontade questionou a lista tríplice para a escolha do cargo de procurador geral da república e jurou que “direitos não são absolutos”.

Temer o desautorizou em algumas horas, dizendo em nota que quem escolhe o procurador é ele. Dois dias depois foi o ministro da Saúde, Ricardo Barros, que teve de voltar atrás em suas declarações sobre o desmonte do SUS.

Cada derrapada dos ministros vem acompanhada, nas redes, pela folha corrida de cada um: as cacetadas de Moraes nos alunos, as doações de um dono de plano de saúde para Barros. Enquanto isso, Serra, o “gigante bobo” segundo o bom achado de uma deputada venezuelana, tem achaques com os “bolivarianos”.

É natural que a mídia estrangeira não considere normal esse horror cotidiano. A quadrilha toda é indefensável e a responsabilidade óbvia é do chefe. O tal “tricô com quatro agulhas” a que Delfim se referiu pode, eventualmente, se aplicar a Marcela Temer, bela, recatada e do lar.

Mas nem aí o interino acerta. Em sua entrevista ao Fantástico, ele prometeu que, “se vier a ocupar a presidência, ela virá para desenvolver toda a área social. Vai trabalhar intensamente”.

A repórter Sonia Bridi, obsequiosa, pergunta se ela tem formação. “Tem. Ela é advogada, né, e tem muita preocupação com as questões sociais”, garante o velhote.

É mentira. Marcela é bacharel, mas nunca advogou na vida. Formou-se em Direito por uma faculdade particular de segunda linha e, segundo ela mesma, não prestou o exame da OAB porque foi cuidar do filho Michelzinho.

Na pressa, Temer está dando a ela a função clássica da primeira dama dos anos 50. Rosane Collor, lembre-se, brilhou na LBA.

A única área social que preocupa Marcela é, provavelmente, a da entrada de serviço dos empregados de sua casa — um delas, em São Paulo, aliás, não tem tido o IPTU pago.

É necessária muita cara de pau para tentar entubar goela abaixo dos brasileiros mais essa cascata. Todo o wishful thinking dos cúmplices e aliados de Temer não será capaz de transformá-lo em algo que ele não é, nunca foi e nunca será. Temer diminui a cada dia e a cada dia em que ele e seus capangas aparecem praticando suas barbaridades cresce a necessidade de novas eleições.