A mídia não aprendeu nada com a Vaza Jato. Por Luis Nassif

Mais um capítulo da Vaza Jato no Intercept. Foto: Reprodução

Publicado originalmente no jornal GGN

POR LUIS NASSIF

Dia sim, dia não, a mídia pede autocrítica a Lula e ao PT.

A própria mídia, através da Veja e da Folha, fez uma autocrítica envergonhada, quando abriu espaço para a #vazajato, Expôs as manipulações dos vazamentos, explicou didaticamente como o vazamento seletivo embaça a verdadeira percepção da denúncia, inspirou uma sequencia de editoriais contra as deturpações dessas operações e das delações premiadas. E vem criticando os abusos de Bolsonaro contra o estado de direito. E de que adiantou?

Aí vem a Lava Jato de Curitiba e começa a vazar dia sim, dia não, peças de um novo inquérito contra Lulinha e a Gamecorp. A mídia volta ao velho jogo e a juíza Gabriela Hardt invoca o mesmo álibi dos vazamentos anteriores: a necessidade da transparência parcial, só das peças de acusação, sem abrir espaço para a defesa. E ninguém na mídia critica a hipocrisia reiterada.

Quando a Lava Jato chegou a Verônica Serra, José Serra foi internado no Sírio Libanês, com suspeitas de ter cometido atos desesperados. As denúncias o envolvendo vão prescrever, sem risco de vazamentos, com ele exercendo o cargo de senador em sua plenitude legal – não necessariamente mental.

Envolvido em várias delações, inclusive na última de Sérgio Cabral, não há vazamentos de inquérito contra Aécio Neves, que voltou a ser o grande articulador político de outrora. Ou porque Serra e Aécio são inimputáveis, ou porque a Lava Jato do Rio de Janeiro é mais séria que a paranaense.

De qualquer modo, a perseguição movida pela Lava Jato e a imprensa contra Lulinha é a comprovação de que, com #vazajato e tudo, nada mudou. As reações eventuais contra o arbítrio de Bolsonaro não visam a defesa do estado de direito, mas o retorno ao arbítrio anterior, no qual os abusos eram cometidos apenas contra os “inimigos”.

Sobral Pinto era o mais ardente defensor das leis. E a melhor maneira de defender as leis era defender sua aplicação aos adversários políticos. Foi por isso que, conservador, se tornou advogado de Luiz Carlos Prestes e de perseguidos da ditadura.

Em pleno século 21, prevalece o direito penal do inimigo.

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