
Nos bastidores de Brasília, lideranças políticas do Centrão passaram a se mobilizar para tentar garantir a libertação do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, no julgamento que será realizado pela Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF). A movimentação ocorre em meio ao avanço das investigações envolvendo o banqueiro e ao temor entre políticos de que ele possa optar por uma delação premiada. Com informações do g1.
De acordo com relatos obtidos por interlocutores em Brasília, a principal preocupação de aliados políticos seria o risco de que Vorcaro, caso permaneça preso por um período prolongado, decida colaborar com as autoridades e revelar detalhes de suas conexões políticas e financeiras.
Segundo essas fontes, interlocutores ligados ao Centrão passaram a mapear os votos dentro da Segunda Turma do STF e a atuar nos bastidores com o objetivo de construir uma maioria favorável à soltura do banqueiro. A articulação envolve avaliação de cenários possíveis para o julgamento e cálculo político sobre o posicionamento dos ministros.
Um dos fatores considerados decisivos nessa estratégia foi a decisão do ministro Dias Toffoli de se declarar suspeito para analisar o caso. Na noite de quarta-feira (11), o magistrado informou que não participará do julgamento da decisão que levou à prisão de Vorcaro.

Com o afastamento de Toffoli, a análise do processo passa a ser feita por apenas quatro ministros da Segunda Turma do STF. Esse cenário alterou os cálculos políticos sobre o resultado da votação, uma vez que o regimento prevê uma regra específica em casos criminais.
A avaliação de integrantes do Centrão é que a composição reduzida do colegiado pode abrir caminho para um empate na votação. Nesse tipo de julgamento, a legislação determina que a dúvida deve beneficiar o réu.
“A lei prevê que, em casos criminais, o empate favorece o réu”.
Por essa razão, interlocutores políticos passaram a intensificar conversas e a acompanhar de perto a posição de cada ministro do colegiado. A expectativa desses grupos é de que um eventual empate possa resultar na libertação do banqueiro.
Nos bastidores do Congresso e do Judiciário, a possibilidade de uma delação premiada de Vorcaro é vista como um fator de risco político. Investigações em andamento apuram relações financeiras e empresariais que poderiam envolver agentes públicos, empresários e operadores do mercado financeiro.
Caso decida colaborar com as autoridades, Vorcaro poderia revelar detalhes sobre essas conexões, o que aumentou a preocupação de lideranças políticas que acompanham o andamento do caso.