A mobilização no Centrão para tirar Vorcaro da cadeia e evitar delação premiada

Atualizado em 12 de março de 2026 às 6:31
Daniel Vorcaro. Foto: Ana Paula Paiva/Valor

Nos bastidores de Brasília, lideranças políticas do Centrão passaram a se mobilizar para tentar garantir a libertação do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, no julgamento que será realizado pela Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF). A movimentação ocorre em meio ao avanço das investigações envolvendo o banqueiro e ao temor entre políticos de que ele possa optar por uma delação premiada. Com informações do g1.

De acordo com relatos obtidos por interlocutores em Brasília, a principal preocupação de aliados políticos seria o risco de que Vorcaro, caso permaneça preso por um período prolongado, decida colaborar com as autoridades e revelar detalhes de suas conexões políticas e financeiras.

Segundo essas fontes, interlocutores ligados ao Centrão passaram a mapear os votos dentro da Segunda Turma do STF e a atuar nos bastidores com o objetivo de construir uma maioria favorável à soltura do banqueiro. A articulação envolve avaliação de cenários possíveis para o julgamento e cálculo político sobre o posicionamento dos ministros.

Um dos fatores considerados decisivos nessa estratégia foi a decisão do ministro Dias Toffoli de se declarar suspeito para analisar o caso. Na noite de quarta-feira (11), o magistrado informou que não participará do julgamento da decisão que levou à prisão de Vorcaro.

O ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli. Foto: Rosinei Coutinho/STF

Com o afastamento de Toffoli, a análise do processo passa a ser feita por apenas quatro ministros da Segunda Turma do STF. Esse cenário alterou os cálculos políticos sobre o resultado da votação, uma vez que o regimento prevê uma regra específica em casos criminais.

A avaliação de integrantes do Centrão é que a composição reduzida do colegiado pode abrir caminho para um empate na votação. Nesse tipo de julgamento, a legislação determina que a dúvida deve beneficiar o réu.

“A lei prevê que, em casos criminais, o empate favorece o réu”.

Por essa razão, interlocutores políticos passaram a intensificar conversas e a acompanhar de perto a posição de cada ministro do colegiado. A expectativa desses grupos é de que um eventual empate possa resultar na libertação do banqueiro.

Nos bastidores do Congresso e do Judiciário, a possibilidade de uma delação premiada de Vorcaro é vista como um fator de risco político. Investigações em andamento apuram relações financeiras e empresariais que poderiam envolver agentes públicos, empresários e operadores do mercado financeiro.

Caso decida colaborar com as autoridades, Vorcaro poderia revelar detalhes sobre essas conexões, o que aumentou a preocupação de lideranças políticas que acompanham o andamento do caso.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.