A morte do MBL no Facebook fica ainda mais patética com os chutes dos antigos sócios do golpe. Por Kiko Nogueira

Gilmar e seus amigos do MBL em outros tempos

A agonia do MBL no Facebook assume ares especialmente patéticos por causa dos ataques e contra ataques da mídia que foi fundamental para transformar a milícia no que é hoje.

À época do impeachment, Kim Kataguiri era colunista da Folha, Renan Santos dava entrevistas dia sim, dia não, qualquer vagabundo com 17 anos que falasse contra Dilma era subcelebridade.

A “caminhada” para Brasília, uma das maiores empulhações de todos os tempos, foi coberta como se fosse séria.

O “2º Congresso” do MBL teve palestras de jornalistas como Reinaldo Azevedo e José Fucs, além do ministro do STF Gilmar Mendes e Mendonça Filho.

O Movimento Brasil Livre ajudou a mídia a ajudá-lo.

A lógica era a seguinte: “Eles podem não ser bons para o país, mas são muito bons para a Globo e para o golpe”.

Depois que Dilma caiu, pode-se mostrar a verdadeira face de quem ajudou a executar o serviço.

Eles nunca estiveram contra a corrupção. São filhos do Cunha.

Cresceram e elegeram um vereador em São Paulo que passa o tempo gritando, apoplético, contra cotas, feministas etc.

O fundador Renan era réu em, pelo menos, 16 ações cíveis e mais 45 processos trabalhistas em seu nome e no das empresas de que é sócio, segundo o Uol.

Sua ficha suja inclui “fechamento fraudulento de empresas, dívidas fiscais, fraude contra credores, calote em pagamento de dívidas trabalhistas e ações de danos morais, num total de R$ 4,9 milhões”.

A desculpa de Renan é fabulosamente cínica.

Tudo se deve à “dificuldade que existe na atividade empresarial no Brasil”. Ele é “mais um dos milhões de pessoas que tentaram empreender no Brasil e não conseguem.”

Doria e os amigos do MBL. Foto: Divulgação

Conseguiu, na verdade. Deu um chapéu em milhares de otários vestidos com camiseta da CBF.

Muitos deram dinheiro para a “causa” na conta dos membros.

A grana serviu para azeitar páginas que, segundo a empresa de Mark Zuckerberg, “faziam parte de uma rede coordenada que se ocultava com o uso de contas falsas no Facebook, e escondia das pessoas a natureza e a origem de seu conteúdo com o propósito de gerar divisão e espalhar desinformação”.

O leitor do DCM já sabia quem eles eram há muito tempo.

Em agosto de 2015, falei aqui dos nomes que Renan usa em situações diversas, recurso adotado por quem está “enrolado” legalmente, e de seus processos.

O MBL renegou Cunha depois da imortal foto da galera com o dedinho para cima no gabinete do deputado.

No fim de semana da votação do impeachment na Câmara, circularam livremente pelos corredores com crachás dados por Eduardo Cunha, que os chamou de “convidados especiais”.

Os rapazes foram usados e depois escarrados.

Num “manifesto” na Folha, Renan e KK escreveram o seguinte: “O Brasil é um país curioso. Em sua ânsia de levar-se a sério, de atribuir ares de grandeza e reverência a sua condição, acaba por tratar toda sorte de farsantes, loucos e incapazes com imerecida dignidade”.

Em apenas cinco anos, o MBL cumpriu sua profecia auto realizável.

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