A multa a Doria por propaganda irregular é um caso em que a Justiça tarda e falha. Por José Cássio

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O velho ditado diz que a justiça tarda, mas não falha. Porém, o atraso de uma punição pode ser, sim, um erro grave e irrecuperável.

Na última quinta-feira, 25, o Ministério Público Eleitoral (MPE) finalmente entrou com uma representação contra João Dória, candidato do PSDB à prefeitura de São Paulo, por propaganda irregular.

Durante as prévias tucanas, em fevereiro deste ano, a campanha do publicitário usou cavaletes com seu nome e número para fazer propaganda eleitoral, o que é proibido pela Lei Cidade Limpa.

Esse fato só é novidade para a justiça.

Até os tucanos Alberto Goldman, ex-governador do Estado, e José Aníbal, atual senador interino, foram mais rápidos que o MPE e denunciaram as irregularidades.

No dia seguinte às prévias, eles já tinham entrado com uma representação contra a candidatura do publicitário e, não bastasse uma representação, havia outras duas que o MPE tinha em mãos para frear as práticas irregulares.

Somente seis meses e muitos rachas no PSDB depois, o MPE percebeu a necessidade de agir. Apenas agora, quando as candidaturas já foram homologadas e iniciaram oficialmente suas campanhas eleitorais.

Não havia razão que bloqueasse a justiça a agir antes e impedir que mais uma candidatura construída na base da ilegalidade se perfilasse na pista rumo ao pódio eleitoral.

Sem contar que a representação trata apenas dos cavaletes, o que é uma falta pequena se comparada com as outras cometidas durante as prévias.

Esqueceram-se das denúncias de abuso de poder econômico, dado que Doria também é acusado de usar recursos do próprio bolso, e não do partido, na pré-campanha, e de compra de votos.

Soma-se ainda o uso da máquina do governo estadual para angariar apoios, prática que resultou na saída do PSDB, sob protestos, de um de seus principais quadros: o vereador Andrea Matarazzo, que hoje ocupa a vice de Marta (PMDB).

Bem, diante de tudo isso, a expectativa é de que ao menos Dória seja punido, certo? Não é bem assim.

O promotor do caso, José Carlos Bonilha, pediu à Justiça Eleitoral que se aplique a pena máxima ao candidato: uma multa de R$ 8 mil. Uma punição dessas não faz nem cócegas nos bolsos do publicitário, cujo patrimônio é o maior entre todos os concorrentes.

As acusações contra João Dória ocorrem há meses e ele sempre nega qualquer culpa.

O mais provável é seguir na campanha fazendo de conta que nada aconteceu e prosseguir comendo pastel e tomando pingado em boteco para tentar passar como menos indigesto possível aos eleitores.

A lição que fica desse caso, tão largamente contado pelo DCM lá atrás, é a de que quando a justiça tarda, salvo raríssimas exceções, ela falha.

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