
A Alemanha enfrenta escassez de profissionais qualificados em diversas áreas enquanto tenta atrair trabalhadores estrangeiros para preencher vagas abertas em hospitais, escolas e empresas de tecnologia. O país lida com falta de mão de obra ao mesmo tempo em que mantém barreiras burocráticas que dificultam a contratação de estrangeiros.
A mobilização por oportunidades já alcança candidatos fora da Europa. Em Chennai, no sul da Índia, cerca de 20 enfermeiras participam de um curso intensivo de alemão com duração de seis meses para poder trabalhar no país europeu. A iniciativa envolve o governo do estado de Tamil Nadu e agências privadas que conectam profissionais indianos a empregadores alemães.
Para muitas famílias, trabalhar no exterior é uma forma de superar dificuldades financeiras. Uma das estudantes afirma que investiu milhares de euros na formação em enfermagem e pretende garantir estabilidade aos parentes. O curso de idioma é financiado pelo governo regional indiano como estratégia para reduzir o desemprego local e ampliar o acesso ao mercado internacional.
Na Alemanha, a necessidade cresce com a aposentadoria da geração nascida no pós-guerra e a baixa taxa de natalidade, que impede a reposição da força de trabalho. Hospitais enfrentam falta de enfermeiros, escolas buscam professores e o setor de tecnologia procura desenvolvedores.
Estimativas do Instituto de Pesquisa de Emprego, em Nuremberg, indicam que o país precisa atrair cerca de 300 mil profissionais qualificados por ano apenas para manter o nível atual de atividade econômica. Sem esse reforço, a alternativa seria ampliar jornadas, adiar aposentadorias ou conviver com queda de renda.

A dependência de mão de obra estrangeira não é inédita. Após a Segunda Guerra Mundial, a então Alemanha Ocidental firmou acordos com países como Itália, Grécia e Turquia para recrutar trabalhadores durante o chamado “milagre econômico”. Até 1973, cerca de 14 milhões de pessoas chegaram como “trabalhadores convidados”, muitos dos quais permaneceram definitivamente.
Apesar da experiência histórica, imigrantes ainda relatam dificuldades para regularizar a situação. Uma pesquisadora iraniana formada no país levou quase um ano para conseguir entrevista para alterar o visto de estudante para trabalho. Mesmo após mais de seis anos na Alemanha, ainda precisa renovar autorizações sempre que muda de emprego. Advogados especializados apontam falta de pessoal nas autoridades migratórias, o que prolonga os processos por meses.
Dados do Escritório Federal para Migração e Refugiados indicam que cerca de 160 mil estrangeiros com autorização de residência são considerados trabalhadores qualificados. O órgão também processa pedidos de asilo de refugiados vindos de conflitos como os da Síria e da Ucrânia, o que pressiona a estrutura administrativa e torna a burocracia ainda mais lenta.
Enquanto isso, clínicas e hospitais intensificam o recrutamento no exterior. A Clínica BDH, em Vallendar, contratou dezenas de enfermeiras da Índia e do Sri Lanka e investe em programas para acelerar contratações diante da concorrência global por profissionais de saúde. O avanço da imigração também alimenta debates políticos e preocupações com o sentimento antiestrangeiro no país, criando novos desafios para a integração dos trabalhadores.