A nota dos chefes militares é um acinte à democracia. Por Gilberto Maringoni

Novos comandantes das Forças Armadas ao lado do ministro da Defesa, Walter Braga Netto Alexandre Manfrim/Divulgação

Por Gilberto Maringoni

A nota produzida pelo ministro da Defesa e pelos comandantes das três Armas no início da noite desta quarta (7) é absolutamente inaceitável num regime democrático. Em quatro parágrafos, os altos oficiais buscam intimidar o presidente da CPI do Covid, senador Omar Aziz, e, por tabela, todo o meritório trabalho da Comissão.

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Não é à toa. Na tarde de hoje, os senadores começaram a deslindar a ação de duas possíveis quadrilhas incrustradas no ministério da Saúde. Elas disputariam o butim do sobrepreço das vacinas. De um lado estaria a ala comandada pelo deputado Ricardo Barros, e de outro, uma turma que teria o coronel Elcio Franco à testa.

As Forças Armadas – que não têm uma história edificante de defesa da democracia – veem agora o resultado de sua nova e desastrada intervenção na vida política do país. Adentram de corpo a ela e agora não toleram críticas.

Cai por terra a propalada superioridade ética e moral dos setores fardados. Não apenas inúmeros membros se beneficiaram de boquinhas, altos salários, planos de previdência privilegiados e alocações estratégicas na máquina pública, como avançaram com avidez em negociações pouco claras.

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Ao contrário do que diz a nota, as Forças Armadas não são fatores essenciais para a estabilidade do país de forma isolada. Só o serão se respeitarem as demais instituições democráticas e a Constituição e deixarem de funcionar como partido político.

É obrigação urgente de todos os partidos entidades democráticas e movimentos sociais denunciarem mais essa ameaça de quatro elementos castrenses e repudiar tentativas nada republicanas de pautar o Congresso Nacional.

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