A ocupação das escolas em SP, segundo um novo documentário que está no YouTube. Por Cidinha da Silva

Alunos de escola ocupada recitam “Negro Drama”, dos Racionais

 

“Razões nós temos. Nós não somos rebeldes sem causa!” Essa é uma das reflexões feitas pelos jovens secundaristas que ocuparam as escolas públicas estaduais da cidade de São Paulo, no final de 2015, em resistência à autoritária reorganização escolar imposta por Geraldo Alckmin.

Dezenas de moças e rapazes nas escolas e centenas deles nas ruas enfrentaram com galhardia uma secretaria de educação inflexível e uma força policial violenta durante 26 dias heroicos, iniciados em 06 de outubro de 2015.

O processo foi registrado pelo cineasta argentino Carlos Pronzato e resultou no documentário “Acabou a paz, isso aqui vai virar o Chile”, disponível online.

Durante uma hora de duração do filme o expectador acompanha cenas do movimento estudantil de resistência e desobediência civil que tomou conta de São Paulo, conquistou o Brasil e também a simpatia internacional. Além de influenciar movimentos similares em Goiânia e no Rio de Janeiro.

Tem acesso também às vozes de sociólogos, educadores, analistas políticos, sindicalistas, representantes de associações estudantis, ativistas políticos, jornalistas independentes que analisam o movimento, seus vínculos com as manifestações de junho 2013 e  desdobramentos.

Mas ouve, principalmente, a voz dos estudantes que discutem a precariedade do sistema de educação paulista expressa na demissão de professores, superlotação de salas de aula, prédios abandonados. Livros e alimentos trancafiados e em processo de deterioração dentro dos prédios escolares.

Pronzato, realizador de “A rebelião dos Pinguins, estudantes chilenos contra o sistema”, de 2007, fez de “Acabou a paz, isso aqui vai virar o Chile”, um registro do protagonismo juvenil como personagem central. O movimento dos estudantes é mais destacado do que os indivíduos, as lideranças.

Esse movimento buscou o governo estadual na tentativa de dialogar antes da ocupação. Enviou abaixo-assinados, conseguiu apoio de vereadores, tentou agendar reuniões, mas nada deu certo. Não foi ouvido. Não foi considerado.

Restou apenas a alternativa de ocupar as escolas e as ruas. O documentário nos mostra a organização política horizontal construída pelos estudantes em cada escola ocupada e a surpresa causada ao governo Alckmin e à polícia militar que os reprimiu de maneira covarde e violenta.

Mostra também o processo de politização de muitos jovens que, antes do movimento de resistência à reorganização das escolas eram alheios à política, como se nota em alguns depoimentos. E, ao construí-lo alimentaram o mundo adulto com mais esperança no futuro.

 

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