A opinião do governo Lula sobre a carta de Rubio a Flávio Bolsonaro

Atualizado em 26 de junho de 2026 às 20:10
Marco Rubio
Marco Rubio, secretário de Estado dos Estados Unidos. Foto: Reprodução.

Integrantes do governo brasileiro avaliam que a carta enviada pelo secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, tenta legitimar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, como interlocutor nas discussões sobre o tarifaço contra o Brasil. A avaliação foi relatada pela coluna da jornalista Malu Gaspar. Com informações da Globo.

Rubio respondeu na última terça-feira à carta que Flávio enviou no início de junho, na qual pediu que os Estados Unidos não adotassem uma nova rodada de tarifas contra produtos brasileiros. Na resposta, o secretário afirmou que os trâmites da investigação comercial incluem uma consulta e uma audiência públicas coordenadas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos.

Segundo a correspondência, essas etapas abririam espaço para debater o caso brasileiro junto ao governo americano. Flávio já anunciou que participará da audiência pública marcada para 6 de julho.

Para um auxiliar do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Rubio, apontado por integrantes do governo como o principal aliado da família Bolsonaro no primeiro escalão da gestão de Donald Trump, tenta dar ao senador um status que ele não tem nas negociações. O governo brasileiro não enviará representantes à audiência porque considera que esse não é o foro adequado para autoridades do país se manifestarem.

Carta de Rubio a Flávio Bolsonaro. Foto: reprodução

Negociações oficiais ocorrem em grupo de trabalho

As tratativas formais seguem em um grupo de trabalho criado depois da visita de Lula a Trump na Casa Branca, em 7 de maio. Participam das conversas o ministro da Indústria e Comércio do Brasil, Marcio Elias Rosa, e o chefe do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer.

A avaliação do governo é que nenhum país investigado com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, como ocorre com o Brasil, se manifestou nas audiências públicas. Para auxiliares de Lula, esse tipo de audiência atende à exposição do setor privado.

O governo acredita que Flávio usará a audiência de 6 de julho para tentar afastar acusações de que teria atuado para que produtos brasileiros fossem tarifados. A investigação comercial americana entrou em sua fase final no início de junho.

Em 2 de junho, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos anunciou a conclusão da investigação com sugestão de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros a partir de 15 de julho. O documento cita práticas comerciais consideradas desleais, incluindo o uso do Pix, questões de propriedade intelectual, decisões judiciais e desmatamento. Auxiliares de Lula veem dificuldade para convencer os americanos a barrar o tarifaço, mas o Brasil pretende manter as negociações e espera ao menos mais uma reunião entre Elias Rosa e Greer antes de 15 de julho.

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