A estranha demora da PM ao divulgar o número de manifestantes na Paulista no 12 de abril

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Até as 17h30 de domingo, 12 de de abril, a PM de São Paulo não havia fornecido uma estimativa de público no protesto contra Dilma.

O capitão Emerson Massera alegou que os movimentos estavam “muito distantes” uns dos outros e a avenida Paulista ficou “espaçada”. “Vamos lançar o número de participantes em breve, mas tivemos dificuldades”, afirmou. Meia hora mais tarde, apareceu o dado: 275 mil.

A dificuldade em atestar o flop contrasta com a rapidez com que foi divulgado o fantástico milhão no evento do mês anterior. Houve até contagem em tempo real. O Datafolha deu 210 mil.

A palhaçada do atraso e sua desculpa esfarrapada sepultam qualquer dúvida de que a PM tenha algum tipo de mecanismo confiável para medir aglomerações. É chute e manipulação.

Existe uma alegação de que a ferramenta utilizada se chama Copom On-line, alimentada por fotos aéreas tiradas de helicóptero e que se vale de “recursos de mapas e georreferenciamento”. Para o resultado do dia 15, a PM teria calculado cinco pessoas por metro quadrado, sem jamais detalhar como chegou a essa quantidade.

A Polícia Militar paulista conseguiu superar os institutos de pesquisa em fantasia estatística. E não é por acaso. A PM tem lado e deixou isso claro algumas vezes.

Há um ano, a assessoria de comunicação soltou uma nota oficial em resposta a uma entrevista ao UOL do coronel reformado Adilson Paes de Souza. Souza declarou que os policiais tratam parte da população brasileira como um potencial inimigo, como ocorria na ditadura.

O texto da assessoria de imprensa cita Reinaldo Azevedo e bate numa das teses mais repisadas por Olavo de Carvalho, a do “marxismo cultural”: “Muito provavelmente a resposta esteja em outro século e em outro continente, nascida da cabeça de alguém que pregou a difusão de um modelo hegemônico, que se deve construir espalhando intelectuais em partidos, universidades, meios de comunicação. Em seguida, minando estruturas básicas e sólidas de formação moral, como família, escola e religião”, lê-se.

“Assim é o discurso desses chamados ‘intelectuais orgânicos’, como costumam se denominar, em consonância com as ideias revolucionárias do italiano Antonio Gramsci, que ecoaram pelo mundo a partir da década de 1930.”

Quando se junta esse samba do crioulo direitista à falta de transparência, você não pode esperar que os números não sejam mentirosos.

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