A pesquisa Quaest sobre a família e os evangélicos, que só parece sem pé nem cabeça. Por Moisés Mendes

Atualizado em 22 de fevereiro de 2026 às 22:01
Michelle Bolsonaro rezando. Imagem: reprodução

A Genial Quaest vai fazer uma pesquisa na semana que vem sobre o impacto do desfile da Escola Acadêmicos de Niterói no meio evangélico. Seria para avaliar os danos no governo das alegorias das latas com famílias reacionárias em conserva.

Qual é o sentido dessa pesquisa? Alguém já viu os institutos pesquisando o impacto das posições homofóbicas e criminosas de políticos da extrema direita entre a população LGBTQIA+?

Alguém sabe de alguma pesquisa sobre novelas da Globo que discriminam negros, com papéis subalternos em ambientes hierarquizados e branqueados?

Alguém já viu amostragens sobre a percepção da população em relação ao supremacismo da Globo? E uma novela da Globo tem impacto 10 vezes maior, porque fica meses no ar, do que o desfile de uma escola.

Por que avaliar a obra de uma escola, que tem liberdade para fazer críticas em forma de arte? Ou a família brasileira e suas farsas são intocáveis?

Os evangélicos, que se sentiram ofendidos, representam essa família? Claro a Quaest está se engajando à campanha para que a escola e o governo sejam vistos como preconceituosos. O alvo é Lula.

Seria apenas uma bobagem, se não fosse parte de uma estratégia. Porque a Genial Quaest nunca irá ouvir pessoas ligadas à umbanda e ao candomblé, por exemplo, sobre os ataques sistemáticos do bolsonarismo.

Ataques que são parte de uma política de desprezo e violência contra religiões de matriz africana. Nunca ninguém pesquisou a relação do fascismo com a discriminação dessas religiões, que expressam muito mais do que crenças, mas memória, história e raízes.

A pesquisa da Quaest, com qualquer resultado, dará sequência aos ataques à escola, ao governo e a Lula. Um instituto de pesquisa entra na falsa controvérsia das críticas do desfile à extrema direita e aos farsantes pregadores da família tradicional.

Daqui a pouco eles vão pesquisar se Michelle representa de fato essa família e se Carluxo é o filho que todo pai gostaria de ter. Os institutos, entre os quais também o Datafolha, fazem o jogo da direita com pesquisas que só parecem sem pé nem cabeça.

É tudo armado em combinação com os carnavalescos das alegorias moralistas da velha direita e do novo extremismo.

Moisés Mendes
Moisés Mendes é jornalista em Porto Alegre, autor de “Todos querem ser Mujica” (Editora Diadorim) - https://www.blogdomoisesmendes.com.br/