
O Brasil segue como o país com maior número de católicos do mundo, mas a participação dessa religião na população vem caindo de forma consistente ao longo da última década. Dados do Vaticano indicam que 13% dos católicos globais vivem no país e que 27,4% estão concentrados na América do Sul. Apesar desse peso histórico, pesquisas recentes mostram uma mudança significativa no perfil religioso dos brasileiros.
Levantamento do Pew Research Center aponta que o Brasil perdeu 15% de sua população católica entre 2013/2014 e 2024. Segundo o estudo, apenas 46% dos adultos se declaravam católicos há dois anos, percentual que coloca o país, ao lado do Chile, entre os únicos da região onde menos da metade da população adulta mantém essa identidade religiosa.
A tendência também foi registrada em outros países latino-americanos, como Colômbia, Chile, Argentina, México e Peru, embora a queda tenha sido mais moderada em alguns deles.
Mesmo com a redução, o catolicismo ainda reúne números expressivos no continente. No Peru e no México, por exemplo, cerca de 67% dos adultos continuam se identificando como católicos. Ao mesmo tempo, cresce o grupo de pessoas sem religião definida, incluindo ateus, agnósticos e indivíduos que não seguem uma doutrina específica.

Ainda assim, a religiosidade permanece elevada: aproximadamente 90% dos entrevistados afirmaram acreditar em Deus, e no Brasil, Peru e Colômbia a maioria disse rezar ao menos uma vez por dia.
O catolicismo segundo o IBGE
Os dados mais recentes do Censo Demográfico do IBGE reforçam essa transformação no cenário religioso brasileiro. Entre 2010 e 2022, a proporção de católicos apostólicos romanos caiu de 65,1% para 56,7% da população com 10 anos ou mais, uma redução de 8,4 pontos percentuais. No mesmo período, os evangélicos cresceram de 21,6% para 26,9%, enquanto os sem religião passaram de 7,9% para 9,3%.
O catolicismo continua predominante em todas as regiões do país, com maior presença no Nordeste e no Sul, mas os evangélicos avançam principalmente no Norte e no Centro-Oeste. O levantamento também mostra mudanças no perfil de outras crenças: a religião espírita apresentou leve queda, enquanto umbanda e candomblé cresceram, ainda que representem parcela pequena da população.
As diferenças também aparecem por faixa etária e nível educacional. O catolicismo segue majoritário entre todos os grupos de idade, porém com maior concentração entre idosos.
Já entre os jovens, a participação é menor, indicando possível continuidade da tendência de queda nas próximas décadas. O Censo aponta ainda que espíritas apresentam os maiores índices de escolaridade, enquanto tradições indígenas e católicos registram taxas mais altas de analfabetismo entre pessoas de 15 anos ou mais.