A precaução do STF em último julgamento de Zambelli na Itália, que acontece nesta sexta-feira

Atualizado em 22 de maio de 2026 às 9:44
Da prisão na Itália, Carla Zambelli em depoimento na CCJ. Foto: reprodução

A Justiça italiana julga nesta sexta-feira (22) um recurso de Carla Zambelli contra a decisão que autorizou sua extradição ao Brasil. A ex-deputada foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no caso da invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e está presa no presídio de Rebibbia, em Roma, desde julho do ano passado.

O recurso será analisado pela Corte de Cassação de Roma, última instância da Justiça italiana. A expectativa de autoridades brasileiras é que o tribunal rejeite o pedido da defesa e mantenha a decisão favorável à extradição. Caso isso ocorra, o processo seguirá para a etapa política, que depende do aval do ministro da Justiça da Itália, Carlo Nordio.

Nos últimos dias, o governo brasileiro passou a se preparar para um eventual desfecho favorável, segundo o  . Na quarta-feira (20), o ministro Alexandre de Moraes, do STF, informou ao Ministério da Justiça que todas as garantias solicitadas pela Itália já foram fornecidas e pediu que o governo adote as providências necessárias para a extradição.

Segundo pessoas que acompanham o caso, o despacho de Moraes foi mais uma formalidade administrativa do que um gesto direcionado à Justiça italiana.

A Itália havia pedido garantias sobre as condições do sistema prisional brasileiro. No ano passado, o governo já havia enviado informações sobre a Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como “Colmeia”, onde Zambelli deve ficar presa caso seja extraditada.

Entrada da Colmeia, no DF. Foto: reprodução

A defesa da ex-deputada alega parcialidade de Moraes, responsável por relatar os processos que resultaram nas condenações no Brasil, e sustenta que Zambelli é alvo de perseguição política. Os advogados também afirmam que a Colmeia representaria risco à integridade da ex-parlamentar.

Em segunda instância, a Justiça italiana entendeu que o presídio brasileiro tem condições de receber Zambelli. Tradicionalmente, a Corte de Cassação não costuma modificar decisões anteriores, exceto quando identifica vícios processuais evidentes.

Zambelli foi condenada pelo STF em maio do ano passado a 10 anos de prisão em regime inicial fechado e multa de 2 mil salários mínimos pelos crimes de invasão de dispositivo informático e falsidade ideológica. Depois da decisão, ela fugiu para a Itália, país do qual tem cidadania.

A ex-deputada também sofreu outra derrota na Justiça italiana. O país autorizou sua extradição em uma segunda ação, relacionada à condenação por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal. O caso se refere ao episódio em que Zambelli apontou uma arma para um jornalista às vésperas das eleições de 2022.

No Brasil, ela foi condenada nessa segunda ação a 5 anos e 3 meses de prisão. Se ao menos um dos processos de extradição for confirmado pela Itália, Zambelli poderá ser enviada ao Brasil para cumprir pena.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 32 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.