
A convocação de Neymar para a Copa do Mundo de 2026, confirmada nesta segunda-feira (18), é fruto de uma movimentação incomum dentro da própria Seleção Brasileira. Diferentemente de outros momentos históricos de pressão popular por convocações, como os casos de Romário em 2002 e Paulo Roberto Falcão em 1978, o atual movimento ganhou força principalmente entre jogadores do elenco comandado por Carlo Ancelotti. Com informações do UOL.
A lista final dos 26 convocados foi anunciada nesta segunda-feira (18), às 17h, no Rio de Janeiro. Nos bastidores da Seleção, atletas como Casemiro, Marquinhos e Raphinha manifestaram apoio público ao camisa 10 do Santos, que tentava retornar ao grupo após longo período marcado por lesões e recuperação física.
“Se dependesse de mim, eu levaria ele para a Copa do Mundo. Mas sem jogar todas as partidas, não seria o ideal para ele”, declarou Casemiro em entrevista ao ex-jogador inglês Rio Ferdinand. “Ele pode mudar o jogo. Em uma partida de 0 a 0, ele pode dar uma assistência ou marcar gol decisivo. Nós não temos esse tipo de jogador no momento”, completou.
Casemiro em entrevista à TNT Sports, analisou o contexto em que Neymar está jogando no futebol brasileiro e avaliou a possibilidade dele ir pra Copa.
“O que é está bem fisicamente? Ele jogando no Santos qual é o estilo de jogo do Santos? Qual é o poder de companheiro dele no… pic.twitter.com/kyFWaXdoZ3
— LIBERTA DEPRE (@liberta___depre) May 7, 2026
O jornalista e pesquisador Roberto Assaf afirmou que não se recorda de outro episódio semelhante envolvendo pressão interna de jogadores pela convocação de um companheiro. “Termos jogadores assim de seleção pedindo um jogador é algo que não me lembro de já ter acontecido”, diz o jornalista e pesquisador Roberto Assaf, autor do livro “Seleção Brasileira (1914 – 2006) – O livro oficial da CBF”.
Segundo Assaf, houve outros momentos de forte mobilização popular envolvendo a Seleção Brasileira, mas sem o mesmo protagonismo dos próprios atletas.
“Já houve clamor popular, cobrança de imprensa. Em 2010, com o Ganso e o próprio Neymar, houve um movimento grande. O (treinador Cláudio) Coutinho não levou, na Copa de 78, o Paulo Roberto Falcão, o Luís Pereira. Agora, de jogador pedindo pela convocação de outro jogador, da forma como está acontecendo, realmente não consigo me lembrar”, afirmou.
O apoio ao atacante também passa pela relação construída dentro da Seleção ao longo dos últimos anos. Casemiro joga com Neymar desde as categorias de base, enquanto Marquinhos dividiu vestiário com o atacante durante anos no Paris Saint-Germain. Jogadores mais jovens, como Raphinha e João Pedro, já citaram publicamente Neymar como referência técnica e pessoal dentro do futebol brasileiro.

O ex-coordenador da Seleção Brasileira e pentacampeão mundial Juninho Paulista afirmou que Neymar ocupa um espaço diferente dentro da geração atual.
“Os jogadores extraclasse são admirados por todos. Eu admirava Romário, Ronaldo Fenômeno e Ronaldinho Gaúcho. Estando em campo, eles vão fazer a diferença. Jogar com esses caras de qualidade técnica absurda é diferente. Só que na minha geração, tinha mais divisão. Cafu, Roberto Carlos, Rivaldo… Dividia-se mais a responsabilidade. Nessas gerações, é o Neymar esse cara diferente. É o único nesse nível de jogador”, analisou.
Especialistas também apontam fatores emocionais e psicológicos como parte da defesa pública feita pelos jogadores. A psicóloga esportiva Michelle Rizkalla afirmou que grupos esportivos costumam proteger atletas que enfrentam críticas e cobranças externas.
“Uma equipe eficiente se forma com um somatório de fatores, incluindo forças (atributos emocionais) e virtudes. Sem esquecer das características em situações decisivas e de pressão. Existe um movimento social dentro de equipes que é proteger o seu parceiro que recebe críticas e julgamentos, por vezes, injustamente. Talvez aí esteja mais um ponto a se pensar sobre a defesa de tantos jogadores ao Neymar. Um grupo pode exercer a cooperação para oportunizar seus aliados”, declarou.