A primeira convocação de Dunga

DUNGA

Publicado no Conexão Fut. 

 

POR GUSTAVO CARRATTE

Na primeira convocação de Dunga em sua segunda passagem pela Seleção Brasileira, as impressões foram mais positivas do que negativas. Por mais edificante que a traumática goleada alemã possa vir a ser para as estruturas futebolísticas do nosso país – abrindo de vez o debate pela democratização da CBF, o fim do monopólio da Rede Globo, a intensificação de investimentos em categorias de base, o saneamento fiscal dos clubes e outras questões essenciais -, no âmbito técnico poderia ter sido dado um passo ainda mais atrás do que foi a escolha de Dunga como técnico. Não houve, porém.

Depois de fracassos, tornou-se rotina vociferar contra tudo, acreditar que quase nenhum jogador merece uma nova oportunidade e, então, cobrar uma nova fornada de atletas. Os dirigentes brasileiros têm uma quedinha por “início, meio e fim, início, meio e fim”, enquanto outros países, obviamente mais evoluídos, tentam engatar “trabalho, trabalho e Copa, mais trabalho, ainda mais trabalho e outra Copa”. Mas com essa geração, pelo menos, já existe relativo consenso de que o seu talento é tudo o que temos – o que, com Neymar, Oscar, Philippe Coutinho e companhia, não é tão pouco quanto adoram dizer.

A começar pelos amistosos contra Colômbia, no dia 5 de setembro, e Equador, no dia 9, são incontáveis os ganhos que uma reformulação mais branda pode trazer. E o número de remanescentes da lista final de Felipão, que alcançou os dois dígitos, tende a aumentar em um futuro próximo, já que Thiago Silva está lesionado, Marcelo ainda é um dos melhores laterais do mundo, e não parece inteligente abrir mão por completo de Paulinho, Bernard, Daniel Alves e Hernanes.

Nos metros finais do gramado, a ausência de um centroavante de ofício foi a melhor das notícias. Não há um camisa 9 que mereça a lembrança de Dunga, e o resgate da ideia que Mano Menezes tentou implementar em 2012, poucas partidas antes de ser covardemente demitido, chega a ser um colírio para os olhos cansados de assistir à execução de conceitos ultrapassados e nocivos à movimentação constante do setor ofensivo, característica fundamental para um time que queira ser considerado “moderno”.

Há pontos preocupantes, é claro, como as lacunas que existem no gol, sem um substituto à altura para Júlio César, e na intermediária defensiva, carente de volantes que ofereçam algo mais do que as infiltrações de Fernandinho, Elias e Ramires. Para que o protagonismo vista verde e amarelo, a construção de jogadas precisa acontecer já no primeiro tijolo.

Além disso, ficaram de fora nomes que deveriam ser lembrados, como o goleiro Diego Alves, os laterais Rafinha e Alex Telles, o volante Rômulo e os meias Lucas, Roberto Firmino e Anderson Talisca. Mas é impossível convocar todos desde o início do ciclo até 2018.

Os questionamentos, por enquanto, devem se restringir à maneira como o Brasil de Dunga irá atuar. Mais de quarenta dias após o massacre alemão, a Seleção já tenta respirar ar puro. E a permanência de boa parte do plantel semifinalista no último Mundial oferece tantos motivos para acreditar que isso é possível quanto o estilo de jogo do treinador e a podridão da CBF remam para o outro lado.

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