A prisão absurda dos repórteres da Mídia Ninja e os tiros no pé da PM

O coletivo de jornalistas não larga o osso da notícia.

Felipe Peçanha
Felipe Peçanha

A prisão absurda de dois jornalistas da Mídia Ninja nas manifestações de segunda-feira no Rio de Janeiro foi mais um tiro no pé da PM. Felipe Peçanha e Felipe Assis foram levados para a delegacia sob a alegação de que estavam “incitando a violência”.

Não é verdade. Estavam trabalhando.

Assis estava em frente à 9.ª DP, no bairro do Catete, quando foi abordado por um tenente identificado como Daniel Puga. Uma advogada da OAB chegou a tentar intervir. Puga recebe uma ligação: “O major Nunes mandou levar ele”, diz, acrescentando: “Quem passar mensagem pelo celular será preso”.

A detenção, na verdade, tinha como objetivo levantar a folha dos dois repórteres para que, caso houvesse alguma coisa registrada, eles permanecessem detidos. É algo que não existe num regime democrático.

A Mídia Ninja está cobrindo os protestos ao vivo, em regime 24 por 7. Tem o aval e a confiança dos manifestantes. Deixa claro de que lado está. É um coletivo de jornalistas que não abandona o front (Ninja é a sigla para “Narrativas Independentes, Jornalismo e Ação”). Tudo é transmitido ao vivo, a partir de um celular, num aplicativo chamado Twit Casting. Os seguidores compartilham links, mandam fotos e vídeos, num diálogo permanente. A força dos ninjas, e sua voz junto aos manifestantes, fez com que o prefeito Eduardo Paes os recebesse para uma entrevista exclusiva na última sexta.

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A PM do Rio, numa tentativa desastrada de usar as mesmas armas, resolveu se manifestar compulsivamente no Twitter com uma retórica truculenta. “PM vai agir contra vândalos que pretendem se reunir no Lgo do Machado”, anunciaram de cara; “Membros da @OABRJ_oficial prejudicando” (como se ninguém tivesse direito a um advogado). Postaram fotos de manifestantes capturados por, de novo, “incitar violência” — numa exposição, no mínimo, desnecessária.

Na madrugada daquela segunda, os ninjas ainda conversaram com o farmacêutico Rafael Caruso, atingido na perna pelo que seria uma bala de arma letal. Queriam acompanhar Rafael a um hospital. Ele preferiu ir para casa, para fazer um curativo. Um membro da OAB que o acompanhava afirmou que seu receio era que os possíveis vestígios de pólvora pudessem ser eliminados. A polícia está declarando que o projétil é de borracha.

Os ninjas se despediram, comeram um pão com manteiga na OAB e retornaram à rua, que é onde a história acontece. Estão lá agora. Dá uma olhada.

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