
O presidente da China, Xi Jinping, apresentou uma proposta de quatro pontos para buscar paz e estabilidade no Oriente Médio e marcou a entrada mais assertiva do país na crise do Golfo até agora. A iniciativa foi discutida em Pequim durante encontro com o príncipe herdeiro de Abu Dhabi, Khaled bin Mohamed bin Zayed Al Nahyan, e ocorre em meio ao aumento das tensões na região após o fracasso das negociações do último fim de semana entre Washington e Teerã para encerrar o conflito.
Ao colocar a defesa da soberania, do direito internacional e da cooperação regional no centro do discurso, o presidente chinês tenta projetar Pequim como ator diplomático relevante em uma área cada vez mais pressionada por guerra, instabilidade energética e disputa geopolítica.
Segundo a agência estatal Xinhua, o plano de Xi se baseia em quatro princípios centrais. O primeiro defende a coexistência pacífica entre os países e a construção de uma nova arquitetura de segurança para o Oriente Médio, baseada em um modelo comum, cooperativo e sustentável.
O segundo ponto reforça a necessidade de proteger de forma rigorosa a soberania dos Estados da região, incluindo seus territórios, instituições e estruturas governamentais. “A soberania, a segurança e a integridade territorial dos países do Golfo no Oriente Médio devem ser sinceramente respeitadas”, afirmou Xi Jinping.
O terceiro eixo da proposta mira diretamente o uso seletivo das normas internacionais em disputas geopolíticas. Ao tratar do tema, Xi fez uma crítica ampla à aplicação do direito internacional por conveniência. “Não podemos permitir que o mundo volte à lei da selva”, declarou.

A frase se conecta à tentativa chinesa de ocupar espaço no debate diplomático global como defensora do multilateralismo em um momento em que diferentes conflitos colocam em xeque as instituições internacionais.
O quarto ponto do plano liga segurança e desenvolvimento econômico. Para Xi, não haverá estabilidade duradoura no Oriente Médio sem crescimento, integração e coordenação entre as necessidades estratégicas dos países da região. A ideia é que os governos consigam injetar energia positiva em um ambiente hoje marcado por guerra e insegurança.
Ao mesmo tempo, a China busca criar condições mais favoráveis para a expansão econômica dos países do Golfo e para a preservação de seus próprios interesses comerciais e energéticos.
Esse posicionamento também apareceu em outra frente diplomática da viagem. Em reunião com o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, Xi voltou a defender que os países rejeitem “o regresso do mundo à lei da selva” e atuem em favor de “um verdadeiro multilateralismo”.