A psicóloga da “cura gay”, Patrícia Lélis, Feliciano e a quadrilha evangélica brasileira. Por Nathalí Macedo

A “psicóloga cristã” Marisa Lobo e o mentor Feliciano

Retrocedendo algumas dezenas de décadas, como é sabido, o Brasil voltou a admitir a homossexualidade como doença a partir da decisão absurda de um juiz de primeiro grau que agora tenta tornar-se desembargador (pai, afasta do Brasil esse cale-se!).

A psicóloga (?) que trouxe para o século XXI o medieval conceito de “cura gay” é Marisa Lobo, a mesma que assinou contra Patrícia Lélis – aquela que acusa o Pastor Marco Feliciano de estupro -, sem sequer consulta-la, um laudo atestando que ela seria mitomaníaca (risos), como forma de invalidar as acusações de Patrícia contra seu estuprador.

Na época, os conservadores que já vivem em busca de um motivo para culpabilizarem a vítima comemoraram o laudo.

Era tudo o que precisavam, afinal – dessa vez com um documento, pensavam eles, legítimo – para dizerem o que sempre dizem quando uma mulher é estuprada no Brasil: ela está mentindo, ela está perseguindo o pobre homem, ela é uma mentirosa compulsiva.

O laudo foi anexado ao processo contra Patrícia para acusá-la de calúnia e extorsão.

Marisa Lobo, uma mulher, como Patrícia e como eu, assinou o falso laudo para tornar ré quem, na verdade, era vítima. Sororidade pra quem?

A incompetente e irresponsável psicóloga – evangélica, é bom mencionar – chegou a ter seu registro cassado pelo Conselho de Psicologia. Depois dessa, ela devia ter cassado o seu registro como mulher e quem sabe como ser humano.

Marisa é, portanto, a autora da cura gay e também da falsa acusação contra Patrícia Lélis.

Coincidência? Acho que não.

A bancada evangélica é uma quadrilha que age ardilosamente contra as minorias e, em última análise, contra o Brasil. É uma quadrilha completa e organizada: tem seus próprios pastores ladrões-estupradores, seus próprios deputados para enfiarem retrocessos goela abaixo no povo brasileiro e suas próprias psicólogas incompetentes para assinarem falsos laudos contra vítimas de estupro e pateticamente defenderem cura para o amor.

Os LGBTs não precisam de cura – precisamos de mais Pablo Vittar, isso sim! -, e Patrícia Lélis não precisa de cura.

Quem precisa de cura – o que pode significar um pouco de vergonha na cara – é a bancada evangélica e seus colaboradores (comparsas), que, através de mentiras deslavadas – alô, pessoal, o deus de vocês condena a mentira! – oprime minorias institucionalmente.

O cristianismo fanático é um câncer.

E é do fundamentalismo religioso que o Brasil precisa se curar.

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