A reação da China à decisão de Trump sobre PCC e CV

Atualizado em 29 de maio de 2026 às 15:40
A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning. Foto: Reprodução/ g1

A China, por meio de sua porta-voz Mao Ching no Ministério das Relações Exteriores, defendeu nesta sexta (29) a política de “não interferência” em assuntos internos de outros países, ao comentar a classificação das facções brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas pelos Estados Unidos. Segundo ela, a posição da China é “consistente” nesse princípio.

O país confirmou também que o chanceler brasileiro Mauro Vieira realizará uma visita oficial à China de 31 de maio a 2 de junho, a convite do ministro das Relações Exteriores Wang Yi. A viagem ocorre em meio à crise internacional gerada pela medida americana que designou CV e PCC como “Terroristas Globais Especialmente Designados” e, a partir de 5 de junho, como “Organizações Terroristas Estrangeiras”.

A decisão dos EUA coincide com a visita do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a Washington, onde se reuniu com o presidente Donald Trump e o secretário de Estado Marco Rubio. Desde 2025, a administração republicana vinha adotando ofensivas contra cartéis e facções de drogas latino-americanas, alegando questão de segurança nacional.

Em janeiro, o Departamento de Guerra dos Estados Unidos publicou a “Estratégia Nacional de Defesa” para manter dominância militar e comercial “do Ártico à América do Sul” e ameaçando realizar ações militares caso interesses americanos não fossem atendidos. O documento citou, por exemplo, operações contra líderes como Nicolás Maduro, acusado por Trump de comandar o Cartel de los Soles.

Lula e Xi Jinping. Foto: Ricardo Stuckert/PR

A estratégia americana prevê ainda a utilização de força direta contra organizações narcoterroristas em qualquer país das Américas, além de apoio a aliados para desmantelar cartéis latino-americanos. Entre outros objetivos, incluem-se o combate à imigração ilegal e a contenção da influência chinesa na região.

Em dezembro de 2024, a Casa Branca publicou uma nova Estratégia de Política Externa, destacando foco na América Latina e ajuste da presença militar para enfrentar “ameaças urgentes” no hemisfério ocidental.

Entre os elementos previstos estão reforço da Guarda Costeira e Marinha, controle de fronteiras, combate a cartéis e acesso a locais estratégicos, reafirmando a Doutrina Monroe: “Negaremos a competidores de fora do Hemisfério a capacidade de posicionar forças ou outras capacidades ameaçadoras”.

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.