
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende adotar cautela antes de responder ao convite feito pelo governo dos Estados Unidos para integrar o chamado Conselho da Paz voltado à Faixa de Gaza. Auxiliares próximos afirmam que a decisão exige análise aprofundada e não será tomada de forma imediata. Com informações do Globo.
Segundo um interlocutor do Palácio do Planalto, não há como aceitar ou recusar o convite sem avaliar previamente as consequências diplomáticas e geopolíticas. A avaliação interna é de que o tema envolve riscos sensíveis e pode impactar a posição histórica do Brasil no Oriente Médio.
De acordo com auxiliares, Lula deve iniciar as discussões internas apenas a partir da próxima semana. O convite foi formalizado na sexta-feira e chegou à embaixada brasileira em Washington, mas ainda não houve manifestação oficial do Itamaraty sobre o assunto.
A proposta partiu do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e também foi encaminhada a outros líderes internacionais. Entre os convidados estão o argentino Javier Milei, o turco Recep Tayyip Erdogan, o egípcio Abdel Fattah al-Sisi e o canadense Mark Carney.

O Conselho da Paz teria como objetivo supervisionar a reconstrução, a governança e a transição política da Faixa de Gaza após o cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos, em um contexto de mais de dois anos de conflito envolvendo Israel e o Hamas.
A iniciativa, no entanto, tem sido alvo de críticas em círculos diplomáticos internacionais. Um dos principais pontos levantados é a ausência de representantes palestinos no núcleo decisório, além do protagonismo concentrado nas mãos do governo americano.
Outro fator que gera desconforto entre diplomatas brasileiros é a presença de integrantes considerados controversos na composição do conselho. A avaliação é de que isso pode comprometer a legitimidade política e a eficácia prática do órgão proposto.
Até o momento, o governo brasileiro não confirmou se aceitará o convite. Auxiliares reforçam que qualquer decisão será tomada somente após uma análise cuidadosa dos impactos para a política externa do Brasil e do histórico de atuação do país no conflito do Oriente Médio.