A reação do governo Lula aos avanços de Trump sobre a Groenlândia

Atualizado em 19 de janeiro de 2026 às 7:48
Lula em evento com a União Europeia. Foto: Mauro Pimentel/AFP

Após novas ameças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra a Groenlândia, auxiliares do presidente Lula (PT) avaliam que o bloco da União Europeia atravessa um verdadeiro teste de resistência, diante do território autônomo ligado à Dinamarca. Nos bastidores da diplomacia brasileira, segundo Daniela Lima, do Uol, interlocutores afirmam que não se pode descartar uma “ação drástica” por parte de Trump, expressão usada como eufemismo para evitar termos como ofensiva bélica ou ocupação forçada.

Desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, em fevereiro de 2022, a União Europeia vive sob pressão militar no seu entorno oriental. Agora, o bloco passa a lidar também com ameaças vindas do outro lado do Atlântico, protagonizadas por um parceiro estratégico desde o pós-Segunda Guerra Mundial.

Para diplomatas próximos ao Palácio do Planalto, o risco é real de que uma escalada tarifária se transforme em algo ainda mais grave, caso a União Europeia avance com medidas econômicas duras contra os Estados Unidos em reação às investidas sobre a Groenlândia.

Um integrante da equipe que assessora Lula resume o clima ao afirmar que prefere errar “por superlativizar o risco, do que por minimizar”.

Na avaliação desse grupo, Trump pode reagir de forma imprevisível se a União Europeia decidir retaliar com tarifas elevadas ou restrições comerciais, sobretudo em um contexto internacional marcado pela ausência de respostas contundentes a ações recentes, como a ofensiva na Venezuela, que não gerou reação direta de potências como Rússia e China.

Nesse cenário, a única variável vista como capaz de conter os impulsos do presidente estadunidense seriam as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. Hoje, Trump conta com maioria tanto na Câmara quanto no Senado. Uma eventual mudança nesse equilíbrio político poderia limitar seu raio de ação, não por pressão popular direta, mas pelo risco concreto de abertura de um processo de impeachment.

Ursula Von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, e Donald Trump, presidente dos EUA. Foto: reprodução

Enquanto isso, os países da União Europeia avaliam impor tarifas de até € 93 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 580 bilhões, sobre produtos dos Estados Unidos, além de discutir a possibilidade de restringir o acesso de empresas estadunidenses ao mercado europeu. As informações foram divulgadas pelo Financial Times e refletem o endurecimento da posição do bloco diante das ameaças de Trump relacionadas à Groenlândia.

Líderes dos 27 países da União Europeia se reúnem neste domingo (18), em Bruxelas, em encontro convocado em caráter de emergência. Sob a presidência rotativa do Chipre, o objetivo é alinhar uma resposta conjunta ao agravamento das tensões diplomáticas e militares no Ártico.

A discussão ocorre após Trump anunciar a intenção de impor tarifas de 10%, com possibilidade de elevação para 25% a partir de junho, contra países como Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia.

As medidas de retaliação vêm sendo desenhadas para fortalecer o poder de barganha europeu em encontros decisivos com o governo estadunidense durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos. Ao mesmo tempo, autoridades buscam uma saída intermediária que evite uma ruptura profunda na aliança militar ocidental, considerada um pilar da segurança europeia.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.