A resposta de Macron após Trump falar de sua vida pessoal

Atualizado em 2 de abril de 2026 às 11:53
Emmanuel Macron e Donald Trump. Foto: Ludovic Marin/AFP

O presidente da França, Emmanuel Macron, evitou responder diretamente às declarações do líder dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre sua vida privada e afirmou que, diante da gravidade do cenário internacional, o foco precisa estar na desescalada da guerra e na retomada das negociações.

Durante entrevista em Seul, o presidente da França foi questionado sobre falas atribuídas ao líder estadunidense e deixou claro que não pretende entrar nesse tipo de embate pessoal enquanto o conflito no Oriente Médio continua produzindo mortes, instabilidade e efeitos econômicos em escala internacional.

“Olha, eu não vou entrar… estamos falando de coisas muito sérias. Estamos falando de guerra. Estamos falando hoje de mulheres e homens que estão em combate, de mulheres, homens e civis que são mortos, da guerra que assola esta região. Falamos também das consequências desta guerra sobre as nossas economias”, disse Emmanuel Macron, presidente da França.

A reação de Macron ocorreu após a divulgação de comentários feitos por Trump em almoço privado. Segundo o Uol, o estadunidense afirmou que Brigitte Macron trata mal o marido e fez referência a um vídeo de 2025 em que a primeira-dama empurra o rosto do presidente francês. Ao ser provocado sobre o tema, Macron rejeitou a polêmica e disse que esse tipo de observação não condiz com o momento atual.

Ao responder dessa forma, o líder francês procurou deslocar a discussão do plano pessoal para o impacto concreto da guerra sobre a vida cotidiana e sobre a estabilidade internacional.

Macron também afirmou que os comentários atribuídos a Trump não merecem ser respondidos. Para ele, o conteúdo da fala está abaixo da importância do que está em jogo no cenário global.

“Penso nos nossos compatriotas – os americanos vivem a mesma coisa – os preços da gasolina, do gás, que sobem. E, portanto, as palavras que pude ouvir, às quais você faz referência, não são nem elegantes, nem estão à altura. É isso. Então, não vou responder a isso, não merece resposta”, afirmou Emmanuel Macron, presidente da França.

Além de rejeitar a provocação, Macron aproveitou a entrevista para defender uma saída política para a crise. Segundo ele, a prioridade internacional deveria ser a redução imediata da tensão militar, com cessar-fogo e volta à mesa de negociações.

“O que é preciso fazer é agir pela desescalada, por um cessar-fogo, pela retomada de negociações que, sozinhas, podem resolver em profundidade o que está em jogo na região e que é importante para a estabilidade de todos os nossos parceiros e de todos nós”. Emmanuel Macron, presidente da França.

O presidente francês também ressaltou que a guerra afeta diretamente a economia e o cotidiano da população em vários países. Ao mencionar o aumento dos combustíveis e da energia, indicou que os efeitos do conflito ultrapassam o campo diplomático e militar. “E pela retomada também de uma livre circulação e a retomada das trocas econômicas de que precisamos, porque hoje somos os nossos compatriotas, somos todos nós que somos as vítimas das consequências desta guerra”, disse Emmanuel Macron, presidente da França.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.