A resposta de Motta a Dino sobre a viagem de Mário Frias

Atualizado em 22 de maio de 2026 às 6:16
Mário Frias não foi localizado em endereço fornecido a Câmara.
O deputado federal, Mario Frias (PL-SP). Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), informou ao ministro Flávio Dino, do STF, que os pedidos de missão internacional apresentados por Mário Frias (PL-SP) ainda estão “em apreciação” e não foram autorizados pela Casa

Segundo Motta, Frias apresentou dois pedidos sem ônus para a Câmara: um para o Bahrein, entre 12 e 18 de maio, e outro para os Estados Unidos, entre 19 e 21 de maio. Nenhum dos afastamentos recebeu autorização formal.

“O Deputado Mário Frias realizou dois pedidos de missão oficial internacional, sendo o primeiro ao Reino do Bahrein, entre 12 e 18 de maio de 2026 e afastamento solicitado de 11 a 19 de maio de 2026, e o segundo aos [Estados Unidos] EUA, entre os dias 19 e 21 de maio e período de afastamento de 18 a 22 de maio de 2026. Os pedidos ainda estão em apreciação”, disse Motta.

A resposta foi enviada depois que Dino cobrou explicações sobre prazo, custos e pagamentos relacionados à “missão internacional” que Frias disse cumprir. O ministro tenta intimar o deputado há mais de um mês em uma ação que questiona o repasse de emendas parlamentares para entidades ligadas à produção de “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro.

Hugo Motta
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Foto: Thiago Cristino/Câmara dos Deputados

O deputado viajou ao Bahrein na semana passada em agenda organizada pela embaixada do país. O gabinete informou que ele estava em missão internacional e que não havia previsão de retorno ao Brasil. O oficial de Justiça devolveu o mandado a Dino à espera de novas providências.

Frias é produtor executivo de “Dark Horse” e teria destinado R$ 2 milhões em duas emendas ao Instituto Conhecer Brasil, ONG presidida por Karina Ferreira da Gama, produtora do filme. Dino determinou em março que o deputado se manifestasse em cinco dias sobre os fatos apontados por Tabata Amaral (PSB-SP).

A apuração preliminar foi aberta por Dino para investigar emendas enviadas por deputados do PL a ONGs ligadas à produtora do filme. O STF tenta intimar Frias desde abril e que o endereço informado pela Câmara ao Supremo não pertence mais ao parlamentar há pelo menos dois anos.

O caso amplia a pressão sobre a rede de financiamento de “Dark Horse”, que também envolve Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. O filme virou alvo de apurações sobre emendas, estrutura de produção, origem dos recursos e possível uso político em ano eleitoral.

Laura Jordão
Estudante de Sociologia e Política na Fundação Escola de Sociologia e Política; escrevo pelo Diário do Centro do Mundo!