
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, afirmou que sua relação com Jair Bolsonaro é baseada em gratidão, e não em submissão. A declaração foi dada após críticas públicas sobre a proximidade do governador com o ex-presidente.
O tema ganhou força depois de declarações do presidente nacional do PSD e secretário do governo paulista, Gilberto Kassab, que disse ser importante que Tarcísio mantenha “personalidade” própria. “Uma coisa é gratidão, reconhecimento, lealdade. Outra coisa é submissão”, afirmou ele em entrevista.
Tarcísio reagiu dizendo que a gratidão não implica obediência política. “É fácil estar ao lado quando a pessoa está bem”, declarou, ao mencionar sua trajetória como ex-ministro de Bolsonaro. Segundo ele, o apoio a aliados em momentos difíceis é raro na política.
Sem citar diretamente o processo, o governador fez referência à situação de Bolsonaro, que cumpre pena na Papudinha por tentativa de golpe de Estado. “Você às vezes não vê muito isso na política, que é estender a mão quando a pessoa está na pior, quando precisa da sua ajuda, perdeu o poder, quando está privada da sua liberdade”, disse.

O governador também afirmou que sua decisão de disputar a reeleição em São Paulo não representa submissão ao ex-presidente ou à família Bolsonaro. “Não é nenhuma novidade, porque desde 2023, quando cheguei em São Paulo, disse que meu projeto era de longo prazo”, afirmou.
Nos bastidores, aliados do centrão e do mercado financeiro veem em Tarcísio um possível nome para o Palácio do Planalto. Ainda assim, o governador tem reiterado publicamente que seu foco está na reeleição estadual.
Tarcísio negou desarmonia com os filhos de Bolsonaro e classificou críticas recentes como “ruídos”. O ex-deputado Eduardo Bolsonaro tem sido um dos mais críticos ao governador, especialmente após o cancelamento de uma visita à Papudinha.
Em agenda pública, o governador participou da entrega da reforma da estação Júlio Prestes, no centro da capital paulista. No evento, voltou a reforçar que manter relações políticas não significa abrir mão de autonomia. “Isso não tem absolutamente nada a ver com submissão. Absolutamente nada a ver”, afirmou.