A resposta estúpida de Miley Cyrus a uma colega que a aconselhou a crescer sem se prostituir

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Heil Hitler

 

A cantora Sinéad O’Connor, 46 anos, resolveu dar um conselho a sua colega Miley Cyrus, de 20. Escreveu uma palavrosa carta aberta dizendo a Miley que não se deixasse explorar pela indústria da música.

Sinéad se disse motivada por um “espírito maternal”. Recebera ligações de jornalistas para que comentasse as semelhanças entre seu vídeo de “Nothing Compares to You”, o cover da linda balada de Prince, e o de “Wrecking Ball”, de Miley.

O primeiro é um close-up do rosto redondo e simétrico de Sinéad, que chora uma única lágrima, sem cortes. No segundo, Miley também chora — além de chupar uma marreta e balançar sem roupa sobre uma bola de demolição.

“Eu fiquei feliz de saber que sou de alguma maneira um modelo para você e espero que, por causa disso, você preste atenção no que estou lhe dizendo. Nada além de sofrimento virá do fato de você se deixar explorar. Por favor, no futuro, diga não quando lhe pedirem para se prostituir”.

Ela continua: “Eu estou extremamente preocupada que aqueles que a cercam a levaram a acreditar ou a encorajaram a crer que é legal, de alguma maneira, ficar nua e lamber marretas em seus vídeos.Na verdade, você vai obscurecer seu talento. Não é, de MANEIRA NENHUMA, uma prova de poder para você, ou para outra jovem mulher, mandar a mensagem de que você deve ser valorizada mais por seu apelo sexual do que por seu talento óbvio”.

Miley respondeu no Twitter: “Antes de Amanda Bynes… Existiu…”. Em seguida deu um link de Sinéad em 2012, pedindo ajuda psiquiátrica (Amanda Bynes é uma atriz da Nickelodeon que foi diagnosticada, recentemente, com esquizofrenia). Em seguida, publicou uma foto de Sinéad no programa Saturday Night Live em que ela rasga uma foto do papa João Paulo II.

A resposta estúpida é reveladora. Miley Cyrus é um emblema da idiotice e do desespero de um ídolo teen que tenta se reafirmar e ganhar um outro público mostrando que cresceu. Para provar que não é mais a Hannah Montana, faz a receita clássica: posa nua, canta letras sobre sexo, dá entrevistas dizendo que prefere maconha a outras drogas e por aí vai.

Apesar de um certo moralismo de Sinéad, não há nada ali que esteja completamente errado. Miley fez uma performance no Video Music Awards, da MTV, que chamou atenção mais pelo absurdo que pela sensualidade. Ela surgiu vestida sumariamente numa “interação” muito louca com o cantor Robin Thicke (com o detalhe de uma inexplicável língua de fora, como se fosse um oficial nazista perdido no deserto do Saara implorando pelo último gole do cantil de um berbere).

Disse que fez “história”. Fez barulho, mas não pelas razões que esperava. É um truque manjado. Miley é parte de uma linhagem de estrelas teen que precisam demonstrar que amadureceram para sobreviver comercialmente. Alguns conseguem. Outros, nem tanto. Jodie Foster, por exemplo, virou uma excelente atriz e uma diretora respeitada. Michael Jackson se consagrou, embora tenha morrido deixando um parque de diversões sinistro em seu rancho. Britney Spears, que beijou Madonna na boca ao vivo para mostrar que já era uma moça, enlouqueceu, perdeu a guarda dos filhos e parece — parece — que sossegou. Lindsay Lohan só é notícia quando entra num novo rehab. Etc etc.

Sinéad O’Connor teve seu grande momento nos anos 90 e hoje se apresenta para fãs empedernidos. Disse ter sofrido abuso sexual na infância, tentou o suicídio, assumiu a homossexualidade, voltou atrás e foi diagnosticada com uma doença mental — o que torna a paulada de Miley especialmente cruel (Sinéad ameaçou em seu blog: “Remova seus tuítes imediatamente ou meus advogados entrarão em contato”). Não há nada que indique ela estivesse atrás de um holofote. Miley Cyrus é uma estrelota mimada, talento genérico, cercada de sicofantas, que será substituída por alguém mais novo, lutando miseravelmente contra o fato de que, faça o que fizer, em 2015 ninguém vai se lembrar dela.

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