A resposta preparada por Lula para a operação contra Jaques Wagner no caso Master

Atualizado em 18 de junho de 2026 às 10:04
Lula e o senador Jaques Wagner. Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já trabalhava com a possibilidade de que o escândalo do Banco Master atingisse integrantes de seu entorno político, especialmente nomes ligados à Bahia. A avaliação passou a circular no Palácio do Planalto antes da nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (18).

A operação teve como um dos alvos o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado e aliado histórico de Lula. O parlamentar foi alvo de mandado de busca e apreensão no âmbito das investigações sobre fraudes financeiras envolvendo o Banco Master, do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Segundo aliados e ministros do governo, Lula adotou internamente o discurso de que a Polícia Federal deve atuar sem interferência e que qualquer pessoa sob suspeita precisa prestar esclarecimentos e responder por eventuais irregularidades. A posição teria sido reforçada desde que começaram a surgir na imprensa indícios de possível envolvimento de Wagner no caso.

A mesma linha já havia sido usada pelo presidente ao comentar menções a seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, em investigações ligadas ao escândalo do INSS. Em entrevista ao Uol, Lula afirmou que o filho teria que “pagar o preço” caso alguma responsabilidade fosse comprovada.

O senador Jaques Wagner. Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

De acordo com relatos de interlocutores, o presidente chegou a conversar diretamente com Jaques Wagner sobre o avanço das apurações. Na ocasião, o senador teria tentado tranquilizá-lo, afirmando que não teria envolvimento direto nas fraudes financeiras investigadas pela PF.

A nova fase da Compliance Zero é vista no governo como um fator de desgaste político para Lula em meio ao cenário eleitoral. Aliados avaliam que o caso pode reduzir a vantagem que o presidente tinha sobre adversários em temas relacionados a suspeitas de irregularidades.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho de Jair Bolsonaro, apareceu em áudios pedindo dinheiro a Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre o ex-presidente. Com Wagner agora no centro de uma operação da PF, integrantes do Planalto reconhecem que Lula também terá de responder politicamente sobre o avanço das investigações.

Um integrante do núcleo mais próximo do governo afirmou que Lula, ao ser alertado sobre a possibilidade de o caso Master atingir aliados, repetiu “mais de dez vezes” que não queria interferir e que a PF deveria fazer o que precisava ser feito.

O presidente também tem dito a aliados que, mesmo que pessoas próximas a ele, como Jaques Wagner ou Guido Mantega, sejam citadas no caso, foi em seu governo que o Banco Central e a Polícia Federal investigaram as fraudes, determinaram a liquidação do Master e prenderam Daniel Vorcaro.

As investigações sobre o Banco Master começaram com a suspeita de criação de carteiras de crédito sem lastro e emissão de títulos fraudulentos. Com o avanço das apurações, a PF passou a mirar também supostos pagamentos de vantagens indevidas a agentes públicos e relações políticas mantidas por Vorcaro.

No caso de Jaques Wagner, a operação busca aprofundar elementos envolvendo pagamentos feitos a uma empresa ligada a familiares do senador e sua relação com Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro. O senador já afirmou não ter “conhecimento de nenhuma investigação, uma vez que jamais participou de qualquer intermediação ou negociação em favor da empresa citada”.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.