A rua precisa ser o futuro, não o passado. Por Fernando Brito

Miguel Paiva – Brasil 247

Estão terminando as centenas de atos públicos contra Bolsonaro que marcaram o dia de hoje pelo Brasil.

Expressivos por toda a parte, eles nos mostram, porém, que não se pode pensar, exclusivamente, numa maratona de manifestações, mas que é preciso começar a organizar pela base o processo de preparação para o processo eleitoral que pode terminar com este pesadelo que vive o Brasil.

Sim, porque crescerão a dificuldades de ser oposição a um governo que já não existe e no qual não se acredita, nem mesmo nas bravatas e rosnados de seus chefes (dos) militares, porque é mais que duvidoso que interpretem vontades orgânicas e estratégicas das Forças Armadas.

Tudo o que estamos vivendo rescende a falsidade: o bolsonarismo hoje não é além de um anacronismo direitista, velho como Guerra Fria, que só é hegemônico entre a direita porque tem dois fatores a conservá-lo: o óbvio aproveitamento das estruturas governamentais e o desmantelamento das estruturas político-partidárias que se provocou com a Lava Jato, que destruiu totalmente as próprias forças que a promoveram.

Tivesse sobrado algo, estaria aí a tal terceira via, mas não sobrou.

Daí que é falso crer que Lula procura, tal como quer Bolsonaro, um confronto exclusivo entre ele e o ex-capitão. Não é mau para o ex-presidente que haja candidaturas à sua direita que formem contra Bolsonaro, embora, a depender do desenho que tomem as eleições, não se possa garantir que formarão na oposição em um eventual segundo turno eleitoral.

Mas estas forças seguem se vitimizando com o que chamam de “intransigência da esquerda” para justificar a sua ausência do combate ao bolsonarismo. Sem elas, não haveria Arthur Lira que atrelasse – ainda que com espertezas marotas – o Legislativo a Bolsonaro e, agora, passando de cavalgadura a cavaleiro, tomando as rédeas do governo.

O que cabe às forças de esquerda, diante disso, é converter rua em voto, sair da pobreza “identitária” egoísta e entender que há uma primeira identidade a nos reunir, a de democratas e progressistas, que nos reúne ao povo e une o povo.

Por fogo em Borba Gato, de resto um personagem que não encanta ninguém senão os mumificados, realmente não faz parte das prioridades urgentes. Pode ser, no máximo, uma boa sugestão de carro alegórico do carnaval que vem aí, tomara, sem pandemia.

Não estamos lutando contra os exterminadores do passado, mas contra os exterminadores do nosso futuro.