A transferência de votos de Lula para Haddad está no começo e isso é apenas um dos problemas de Ciro. Por Carlos Fernandes

Ciro Gomes e Fernando Haddad. Foto: Agência Brasil

As duas mais recentes pesquisas de intenções de votos publicadas nesta segunda (17) refletem, cada uma à sua maneira, os efeitos práticos de uma lógica inconteste: a crescente e maciça transferência de votos de Lula para Haddad.

Não existe analista político sério nesse país que não tenha previsto um forte crescimento do petista após ter sido oficialmente declarada a sua candidatura.

Confirmado o cenário de ascensão já demonstrado nas pesquisas Datafolha e Ibope divulgadas no final da semana passada, Haddad impõe um ritmo de crescimento de uma velocidade tal que torna impraticável qualquer esboço de reação de seus adversários no chamado segundo pelotão em tão pouco tempo restante para o primeiro turno.

Cabe assinalar que os números revelados nas duas pesquisas de hoje (17) representam apenas uma parcela da sua real capacidade de votos.

E isso por dois motivos muito simples.

Primeiro que a transferência de votos de Lula para Haddad está só no começo. Há apenas uma semana como candidato, uma imensa maioria dos votos lulistas cativos ainda não se inteiraram definitivamente de quem realmente é o legítimo indicado pelo ex-presidente.

Haddad continuará crescendo na mesma medida em que essa informação continuar chegando às classes menos favorecidas da sociedade. Aqui não custa lembrar, Lula possui um contingente de votos em torno de 40% do eleitorado brasileiro. Ainda há muito o que se contabilizar.

Para além disso, confirmada a polarização Haddad/Bolsonaro, não é absurdo supor que uma nova onda de transposição de votos aconteça para os dois candidatos com maior probabilidade de avançarem para o segundo turno.

Nesse ponto Ciro Gomes, o terceiro colocado apontado nas duas pesquisas, possui uma desvantagem gritante.

Ao contrário de Bolsonaro (78,2%) e Haddad (75,4%), o seu índice de eleitores que afirmam ter a sua decisão de voto consolidada é consideravelmente baixo, apenas 49,1%.

O que quer dizer que nada menos que 50,9% dos eleitores que hoje se declaram “ciristas” podem mudar de ideia e apoiar outro candidato.

Com um alicerce eleitoral tão fragilizado como esse, o que já resta claro com Marina e Alckmin, muito em breve pode chegar à candidatura de Ciro Gomes.

Considerados todos os prognósticos e praticamente determinado o cenário eleitoral de 2018, o Brasil se depara mais uma vez com o importante momento de decidir entre a democracia e a barbárie.

Mais do que uma eleição, chegamos a um marco civilizatório.

Para além das preferências pessoais à esquerda, ao centro ou à direita, o que estamos sendo instados a decidir é se a partir de 2019 retornaremos a ser uma nação pautada sobre a égide de um estado democrático de direito ou se simplesmente descemos do atual Estado de Exceção direto para uma profunda ditadura militar cujos efeitos já tivemos a experiência desastrosa por mais de duas décadas.

Dado o atual contexto político, não existem atenuantes. Fernando Haddad apresenta-se como a nossa única e mais completa tradução da democracia brasileira.

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