“A Turma”: grupo que intimidava inimigos de Vorcaro recebeu “bonus de fim de ano”, diz PF

Atualizado em 15 de maio de 2026 às 6:30
Daniel Vorcaro, ex-CEO do Banco Master. Foto: reprodução

A decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a sexta fase da Operação Compliance Zero na última quinta-feira (14), aponta que Daniel Vorcaro teria pago um “bônus de final de ano” a integrantes do grupo “A Turma”, descrito pela Polícia Federal como o braço miliciano ligado ao ex-dono do Banco Master.

“A autoridade policial destaca que esse pagamento é compatível com o bônus de final de ano que Daniel Vorcaro teria destinado à ‘Turma”, apontou o documento obtido pelo g1.

Segundo as investigações, a estrutura paralela atribuída a Vorcaro era dividida em dois núcleos. O primeiro, chamado “A Turma”, seria responsável por ameaças, intimidações presenciais, coerções, levantamentos clandestinos, obtenção de dados sigilosos e acessos indevidos a sistemas governamentais.

O segundo grupo, conhecido como “Os Meninos”, teria atuação tecnológica. De acordo com a PF, ele era usado para ataques cibernéticos, invasões a sistemas, derrubada de perfis e monitoramento telefônico ilegal.

A decisão cita uma movimentação ocorrida em dezembro de 2025. Segundo a Polícia Federal, Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado e apontado como integrante de “A Turma”, pediu a chave Pix de Anderson Wander da Silva Lima, que trabalhava na Delegacia Especial de Polícia Federal no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, o Galeão.

Para os investigadores, o pagamento feito por Marilson a Anderson teria relação com a estrutura mantida em favor de Vorcaro. “Marilson realizou pagamento a Anderson, pedindo sua chave pix para enviar uma ‘oferenda’, efetivada no dia seguinte”, apontou a denúncia.

A PF afirma que “A Turma” integrava uma estrutura paralela de vigilância supostamente comandada pelo banqueiro, que está preso. O grupo teria sido acionado para atender interesses de Vorcaro por meio de intimidação, coleta clandestina de informações e acesso irregular a dados protegidos.

De acordo com a investigação, o núcleo liderado por Marilson Roseno da Silva também era usado pelo pai de Vorcaro para demandar vantagens ilícitas. Os investigadores apontam ainda que ele atuava como operador financeiro dos pagamentos feitos ao grupo.

Fachada do Banco Master. Foto: reprodução

Entre os integrantes da Polícia Federal investigados estão Sebastião Monteiro Júnior, policial federal aposentado e alvo de mandado de prisão, e Anderson Wander da Silva Lima, agente da ativa lotado na Superintendência Regional da PF no Rio de Janeiro, também alvo de prisão.

A decisão também cita Valéria Vieira Pereira da Silva, delegada da PF, alvo de buscas, afastada do cargo e proibida de manter contato com integrantes da corporação. O marido dela, Francisco José Pereira da Silva, policial federal aposentado, foi alvo de mandado de busca e apreensão.

Segundo os investigadores, Valéria e Francisco atuavam no repasse de informações sigilosas para Marilson Roseno a partir de consultas realizadas no e-Pol, sistema interno usado pela Polícia Federal.

Outro nome citado na decisão é Manoel Mendes Rodrigues, apresentado como “empresário do jogo” do bicho no Rio de Janeiro. Ele é apontado pela PF como líder de um braço local de “A Turma” e suspeito de mobilizar pessoas em ações de intimidação ligadas aos interesses do grupo.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.