A verdade sobre o meteoro na Rússia

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Talvez em São Tomé das Letras encontremos várias explicações para as coincidências cósmicas da última sexta-feira e muito provavelmente para todos os eventos destes dias posteriores ao fim do calendário Maia.

Afinal de contas, na mesma semana em que o planeta Terra sentiu-se como um pedestre abandonado na faixa central da Marginal Pinheiros, onde esquivar-se é inútil e o que resta a fazer é torcer para não ser atingido, tivemos uma renúncia papal, dois terremotos sincronizados e idênticos (Filipinas e Nova Zelândia) e um teste nuclear subterrâneo na Coréia do Norte.

Impossível não conjeturar que algum político tenha se beneficiado por insuficiência de espaço na mídia para tratar de mais um escândalo. Talvez tenhamos perdido alguma maracutaia, mas quem se importa? Seria só mais uma enquanto rochedos eram arremessados contra a Terra, nossa pobre Geni.

Com tantos episódios simultâneos e assustadores, menosprezar os cavaleiros do apocalipse de plantão foi quase constrangedor. O clima de final de mundo imperou em todos os sentidos e mesmo os céticos já desconfiavam. Muitos paulistas tinham certeza absoluta na última quinta-feira quando até o dilúvio também deu as caras. Era coincidência demais. O segundo sol havia chegado. E caído num lago gelado.

Durante os bombardeios, muitos revoltavam-se com o fato de terem sido pegos desprevenidamente e aqui chegamos ao ponto que gostaria de compartilhar com os terráqueos.

Apesar da indignação geral pela falta de aviso prévio, a surpresa com o meteorito em Tcheliabinsk e com uma outra bola de fogo que cruzou os céus da Califórnia enquanto todos olhavam para o lado do asteróide 2012DA14, faz-me crer que duas hipóteses sejam absolutamente cabíveis:

Primeiramente a explicação oficial de que algo tão pequeno ainda não pode ser detectado, é compreensível e faz sentido.

Em segundo lugar, tenho para mim que, se um meteoro, meteorito, cometa ou sei lá que estrovenga mais estiver em rota de colisão com nosso planeta, a ordem seja a de não informar. E para mim isso é compreensível tanto quanto. Avisar para quê?

O pânico que uma informação como essa viria a causar é inevitável e, por isso mesmo, melhor evitar.

Numa hipotética situação em que o planeta estivesse na faixa de rolagem do asteróide 2012DA14, a precisão da área a ser atingida seria de uma magnitude inadministrável. “Poderá atingir a Oceania ou a Europa Oriental ou a Asia”. Como elaborar um plano de evacuação para um raio desses? E ir para onde? Deixe bater e depois vê-se o que fazer, caso reste o que fazer. Desculpem o pragmatismo, mas é isso.

Os católicos foram pegos no meio da missa com a renúncia de seu líder, porém Joseph Ratzinger não acordou naquela bela manhã de mau-humor, tomou seu anti-depressivo e decidiu: renunciarei. A decisão já estava tomada há tempos, porém é igualmente o tipo de informação que se deve anunciar do modo como foi feito. De supetão. Uma antecedência excessiva provocaria especulações, tumulto, problemas a mais para algo que não possui mais volta. Para que fomentar o caos?

Os depoimentos tranquilizadores de especialistas e autoridades acerca da corriqueira ocorrência da queda de meteoritos reforçam minha modesta opinião. Segundo estes, todos os dias somos alvejados por meteoritos que porém caem em áreas desertas ou no mar. Ou seja, a informação prévia, se existente, fica censurada enquanto o pessoal da NASA acende velas para que os bólidos caiam em algum deserto. Nosso santo é forte, pelo visto.

A razão de estarmos aqui é perseguida incansavelmente por religiosos, ateus e agnósticos. É intrínseco à raça humana. Já a expectativa de que veremos nosso fim é algo que não sai da cabeça dos produtores de Hollywood e adoradores do apocalipse. Penso que ambas as posturas sejam inócuas.

Quando chegar a hora para valer, e isso pode ser a qualquer momento, poderia inclusive ter sido na última sexta-feira pois ficou comprovado que estamos numa roleta russa, de pouco adiantará estar ciente. Não consigo realizar que um americano montado num skate supersônico, munido de um punhal, irá de encontro a um asteróide e fará picadinho do inimigo da humanidade (para quem acredita, há nos EUA uma fundação chamada B612 disposta a ir em frente com isso. Talvez estejam a recrutar voluntários).

Portanto, ainda que muitos possam me rotular de pessimista ou imbecil e apesar da gravidade de todos os acontecimentos, a meu ver foi uma semana altamente didática. Carpe diem, meus amigos. Vai que amanhã, né?

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