A visita de Carlos Lupi a Lula desmoraliza Ciro Gomes. Por Carlos Fernandes

Carlos Lupi. presidente do PDT (Foto: Divulgação/Facebook)

Se existe uma coisa que Jair Bolsonaro está nos ensinando na prática é que sobretudo na política a prepotência não rende bons dividendos.

Carlos Lupi, que não costuma rasgar dinheiro, percebe o mesmo talento para a desagregação por descompostura do atual presidente naquele que seu próprio partido lançou para o cargo.

A incontinência verbal que acomete Ciro Gomes desde sempre parece já não causar danos somente a si.

A forma ofensiva, covarde e mal-educada com que tem tratado figuras importantes do espectro político, desde Leonardo Boff ao ex-presidente Lula, tem arranhado de forma vergonhosa a imagem do partido.

Seu maior expoente, Leonel Brizola, certamente se envergonharia.

Atento aos sinais, não é por acaso que está marcada para o próximo dia 23 uma visita de Carlos Lupi a Lula em Curitiba.

Não é preciso ser um especialista na política brasileira para enxergar nesse movimento uma tentativa de reconstrução das pontes dinamitadas pelo menino prodígio.

O presidente do PDT sabe que ter Lula como adversário nunca foi uma boa aposta, principalmente agora que a extrema-direita se esfacela e surgem cada vez mais chances para que o campo democrático e progressista volte ao poder.

É, em última análise, um ato político que envolve coragem, humildade e sabedoria política.

O problema, porém, é que ao fazê-lo desmoraliza completamente Ciro Gomes.

Senão, vejamos.

Se é como Ciro preceitua, por que haveria do presidente do seu próprio partido visitar o homem a quem recentemente insultou como um “enganador profissional” e “defunto eleitoral”?

Se assim fosse, seria um despropósito além de uma completa perda de tempo. Mas, sabemos todos, incluso Carlos Lupi, que assim não é. Só Ciro, com a sua infinita obtusidade, para acreditar numa sandice como essa.

E é por isso mesmo que o gesto desautoriza do ponto de vista partidário absolutamente tudo que Ciro vem metralhando aos quatro ventos.

A depender da conversa e das declarações que Carlos Lupi der às portas da Superintendência da Polícia Federal na capital paranaense, será a ridicularização última de Ciro no PDT.

Assim procedendo, caberá ao eterno terceiro colocado recolher suas ofensas ao seu foro íntimo ou continuar proferindo-as em outra freguesia. Afinal, convenhamos, não seria a primeira vez que o rapaz mudaria de partido.

De uma forma ou de outra, ficando ou partindo, está claro que cada vez mais Ciro Gomes se credencia a fazer parte de uma espécie de panteão às avessas, onde jazem melancólicos “defuntos eleitorais” como Marina Silva, Marta Suplicy e Cristovam Buarque.

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