A vitória no BBB de uma mulher negra no Brasil de Bolsonaro. Por Nathalí

Thelma do BBB e Jair Bolsonaro. Foto: Reprodução/Globo/Wikimedia Commons

Planeta Terra, 2020: Viola Davis pede votos para participante do Big Brother Brasil.

O ícone do movimento negro retuitou um post de Taís Araújo – outro ícone do movimento negro, só que a nível nacional – em torcida por Thelma Assis, agora vencedora da vigésima edição do Reality Show.

Quando um participante do BBB mobilizou tanta gente respeitável mundo afora?

Não só a comunidade negra fez e vibrou com a vitória da médica Thelma Assis. Ontem, no dia da final do Reality, as redes sociais foram tomadas por esse nome.

Artistas, personalidades e páginas progressistas – Anitta, Izza, Maria Ribeiro, Taís Araújo, Lázaro Ramos, Viola Davis, Preta Gil, Mídia Ninja, AZMina, Quebrando o Tabu – fizeram campanha pedindo votos pra ela. Quem torcia por Babu Santana – vítima de perseguição racial e eliminado na semana passada – passou a depositar na médica suas fichas de representatividade.

O que significa uma mulher negra vencendo no Brasil de 2020? No Brasil da execução de Marielle, do racismo como promessa de campanha, o Brasil das violências e violações contra pretas?

Há quem diga que a tão festejada vitória de Thelma é “reparação histórica” (num pleonasmo bem-humorado, claro) pela edição passada, cuja vencedora fez os comentários mais racistas da história do programa.Mais do que isso, eu diria, é um sinal de que o Brasil antirracista está vivo apesar dos apuros.

O racismo à brasileira agora dará conta do discurso que costuma emplacar sempre que um preto vence: a vitória não é um mérito, mas um resultado de vitimização.

Só que não.

Thelma já entrou no BBB vitoriosa. Seu prêmio é ser bem-sucedida e ir tão longe em um país que a detesta. Ela já nos dizia muito e dizia muito sobre nós, Brasil, antes de ser milionária: uma médica negra retinta em um país como o nosso ainda é um acontecimento.

Quando uma mulher preta vence – seja lá o que for – no Brasil desses tempos terríveis, vencemos todos: negros e não-negros, espectadores ou não da rede globo, todos nós, progressistas, que queremos um Brasil que olhe para suas minorias com mais respeito e menos altivez.

Como disse Viola Davis, “quando uma mulher negra se movimenta, toda a estrutura da sociedade se movimenta com ela”.

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