A votação expressiva de Bolsonaro e os erros da esquerda. Por Rudá Ricci

Atualizado em 3 de outubro de 2022 às 8:16
Lula e Bolsonaro
Foto: Reprodução

Por Rudá Ricci

Algumas observações sobre a eleição de ontem:

1) o erro maior das pesquisas sobre intenções de voto para a Presidência está circunscrita à votação de Bolsonaro. Lula, Tebet e Ciro estiveram dentro da margem de erro que quase ninguém no Brasil respeita;

2) a votação expressiva de Bolsonaro e do bolsonarismo se deu no Brasil profundo do centro-sul, mas não ocorreu no nordeste;

3) nós, do centro-sul, tendemos a olhar nossa região como motor intelectual e produtivo do país. Ocorre que a região vive um processo de decadência econômica com a desindustrialização;

4) quando se perde uma eleição e preciso entender que o derrotado errou. Errou na comunicação, na proposta ou na estratégia. Se não pensarmos assim, a democracia se torna uma ficção;

5) a sociedade civil organizada (organizações populares, movimentos sociais, ONGs, redes) perderam sua pujança formuladora e mobilizadora neste século. Com isso, os partidos à esquerda perderam seus canais de comunicação com a base social;

6) a luta por direitos também arrefeceu no Brasil. A luta, agora, é pelo sucesso individual e proteção das comunidades fechadas às quais a maioria pertence;

7) o debate da Globo foi um espelho colocado na nossa cara. A política, como está, é um circo, um campeonato entre “nosso time” e o “deles”. Uma arena de gladiadores;

8) PT e PL fizeram as maiores bancadas federais. PL fez 99 deputados e PT saltou de 56 para 76. Como se percebe Bolsonaro transferiu o voto do PSL para o PL. Este é o fenômeno a ser analisado.

9) A campanha de Lula não errou. Mas faltou emoção. Foi extremamente racional e profissional. Acontece que para falar com o Brasil profundo é preciso ter emoção, tocar na difícil história de vida de gente que é tradicionalmente desconsiderada.

10) Finalmente, uma palavra sobre a grande imprensa e as redes sociais. Nestas eleições, as redes não tiveram o papel definidor que tiveram em 2018. As lideranças locais se mobilizaram (prefeitos, vereadores etc). Já a grande imprensa não consegue perceber o ovo da serpente.

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