Abandono em trilha é crime? O que se aplica à jovem que abandonou o amigo na montanha

Atualizado em 7 de janeiro de 2026 às 22:41
Thayane Smith Moraes, de 19 anos. Foto: Reprodução

O desaparecimento de Roberto Farias Thomaz durante uma trilha no Pico Paraná, após se separar da amiga que o acompanhava, levantou dúvidas sobre a possibilidade de responsabilização criminal da montanhista. Roberto ficou quatro dias perdido na região e foi localizado por equipes de resgate. Ele afirmou que a colega o deixou para trás, enquanto a jovem nega ter abandonado o companheiro e diz que buscou ajuda. Com informações do Estadão.

Especialistas em direito penal apontam que a responsabilização depende das circunstâncias apuradas pela investigação. Em tese, casos do tipo podem ser enquadrados em crimes como omissão de socorro, quando comprovado que a pessoa poderia agir sem risco pessoal e se abstém de ajudar alguém em perigo atual e imediato.

No entanto, advogados afirmam que, em atividades de montanhismo, é comum que os grupos se separem por ritmo de caminhada e que a análise leva em conta fatores como ambiente, risco próprio, possibilidade real de socorro no momento e se houve pedido de ajuda às autoridades.

Roberto Farias Thomaz, de 19 anos

A defesa da jovem afirma que não houve crime e sustenta que ela não abandonou o colega, permanecendo no local por um período e depois acionando equipes de resgate. O caso ainda é acompanhado pelas autoridades locais, que colhem depoimentos e informações técnicas sobre o percurso e o estado da trilha.

Corpos de bombeiros reforçam orientações para trilhas, como não caminhar sozinho, informar familiares sobre o trajeto, levar equipamentos adequados e evitar percursos sem experiência ou apoio de guias. O Pico Paraná é o ponto mais alto do Sul do Brasil e exige preparo físico e atenção às condições climáticas. O inquérito vai definir se houve infração penal ou se o episódio será tratado como acidente em ambiente de montanha.