Abertura das Olimpíadas de Inverno vira palco de manifestações contra ações do ICE nos EUA

Atualizado em 7 de fevereiro de 2026 às 7:26
Manifestantes em Milão, na Itália, contra ações do ICE nos EUA. Foto: Emanuele Cremaschi/Getty Images

No dia da abertura oficial dos Jogos Olímpicos de Inverno, centenas de pessoas foram às ruas de Milão, na Itália, na última sexta-feira (6) para protestar contra a presença de agentes do ICE, a polícia de imigração dos Estados Unidos, com citações de apoio à Palestina, vítima de um massacre comandado pelo estado sionista de Israel.

A manifestação reuniu sobretudo estudantes e ativistas contrários às políticas migratórias do governo estadunidense e ganhou força após relatos de que policiais federais estariam na cidade para atuar na proteção de cidadãos de seu país durante o evento esportivo.

Com cartazes e faixas, os manifestantes exibiram mensagens como “Fora ICE” e críticas diretas às operações da agência migratória em cidades como Minneapolis, no estado de Minnesota. O protesto também incorporou pedidos para que o vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, e o secretário de Estado, Marco Rubio, deixassem o território italiano durante a Olimpíada.

“Achei que esta era uma boa oportunidade para mostrar que o resto do mundo não está O.K. com o que está acontecendo em Minnesota”, disse Katie Legare, estudante nascida naquele estado e que hoje vive na Europa. Ela se referia à morte de Renee Good e Alex Pretti durante operações conduzidas por agentes do ICE, casos que ampliaram a repercussão internacional sobre a atuação da polícia migratória.

“Lembre-se deles”, dizia um cartaz com as imagens de Alex Jeffrey Pretti e Renee Nicole Good, estadunidenses assassinados pelo ICE, além de uma foto de Liam Conejo Ramos, menino equatoriano de 5 anos usado como “isca” para a captura de mais imigrantes. Bandeiras da Palestina e de movimentos LGBTQIA+ também apareceram nas ruas de Milão.

O protesto extrapolou as ruas e chegou às redes sociais. O esquiador britânico Gus Kenworthy, que participa da Olimpíada de Inverno, publicou uma imagem na qual aparece a frase “F*ck ICE” escrita na neve. O atleta afirmou se tratar de um posicionamento pessoal.

Tanto o Comitê Olímpico Britânico quanto o Comitê Olímpico Internacional (COI) indicaram que não haveria punição, já que a manifestação ocorreu fora das instalações oficiais dos Jogos.

Diante da repercussão, o governo italiano tentou reduzir a tensão. Autoridades afirmaram que não há agentes do ICE atuando nas ruas de Milão durante a Olimpíada. Segundo o comunicado, apenas funcionários da Investigação de Segurança Interna participam de missões diplomáticas vinculadas às representações dos Estados Unidos.

O Comitê Olímpico e Paralímpico dos EUA também declarou que nenhum policial de imigração integra o esquema de segurança da delegação.

Com a cerimônia de abertura marcada para as 20h no horário local, o poder público determinou o fechamento de escolas na região central e restringiu o acesso a algumas áreas para reforçar a segurança e minimizar impactos no trânsito. No período da tarde, um novo protesto ocorreu nas proximidades do estádio San Siro, onde acontece a abertura oficial.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.