ABIN abre as portas para FBI treinar policiais brasileiros e parece esquecer que, em tese, é órgão de inteligência

Abin abriu as portas para o FBI dar curso no Brasil

Sob o comando do general da reserva Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança Institucional, a ABIN abriu suas portas para o FBI. Realizou do dia 18 até a última quarta-feira o Curso de Resposta Rápida a Atiradores Ativos, com instrutores da polícia norte-americana.

“Os instrutores são todos norte-americanos”, destacou com indisfarçável orgulho a nota publicada no site da Agência.

Intercâmbios desse tipo não são incomuns — devem até ser estimulados. Mas a realização desse curso na ABIN é indevida. Em tese, a agência deve atuar com ações de inteligência na defesa do estado brasileiro, inclusive contra investidas de órgãos policiais e de inteligência de potências estrangeiras.

Como se sabe, a ABIN tem falhado miseravelmente no cumprimento desta missão. Não fosse assim, o governo brasileiro não precisaria ter sido informado por Edward Snowden, ex-administrador de sistemas da CIA e da NSA, que a então presidente Dilma Rousseff tinha sido espionada por causa do petróleo brasileiro.

Onde estava a ABIN?

Cursos com instrutores norte-americanos despertam nos policiais brasileiros muito interesse, bem como de simpatizantes, como é o caso do senador Marcos do Val, que era do PPS/Cidadania e atualmente está no Podemos, que esteve na ABIN durante as aulas.

Dono de empresa de segurança, Marcos do Val registra em seu currículo que foi instrutor de polícia nos EUA, inclusive na SWAT. Mas jamais na CIA, a congênere da Abin.

Transformar a Agência Brasileira de Inteligência numa sucursal do FBI é demais até para um país que tem um presidente que diz a Donald de Trump que o ama.

Se quer trazer agentes do FBI para um curso desses, que se use o Ministério da Justiça e Segurança Pública. Mas, na Abin, o recomendável seria o trabalho permanente e discreto, para evitar, por exemplo, que cocaína seja embarcada em avião da comitiva presidencial.

Segue a notícia publicada no site da ABIN.

A sede da Agência está recebendo oficiais do Federal Bureau of Investigation (FBI), dos Estados Unidos, que estão ministrando o curso “Curso de Resposta Rápida a Atiradores Ativos” para policiais e agentes de segurança de grupos de elite de todo o Brasil. A capacitação começou no dia 18 de setembro e vai até a próxima quarta-feira – 25 de setembro.

O treinamento é voltado à preparação dos agentes para atuar em situações de atentado envolvendo atiradores ativos, que são classificados como pessoas com a intenção de cometer homicídios em massa – em ataques a escolas, igrejas ou shoppings, por exemplo.

O curso é fruto da parceria entre a Escola de Inteligência (Esint) da ABIN, o Departamento de Atividades Especiais da Polícia Civil (Depate/PCDF) e a Embaixada Americana. Os instrutores são todos norte-americanos. Já os participantes são oriundos da ABIN, da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal, de polícias legislativas e de forças policiais especiais de dez diferentes estados.

Resposta Rápida a Atiradores Ativos

Cinco oficiais do FBI estão atuando como instrutores. O programa é composto por teoria e instrução operacional. São simulados procedimentos de formação de células de resposta durante o ataque de um atirador ativo, como o que aconteceu em março deste ano em uma escola na cidade de Suzano/SP.

Um dos objetivos é transmitir os instrumentos e estratégias utilizados em diferentes ambientes, possibilitando a formação de multiplicadores das técnicas adotadas pelo FBI para o combate a terroristas e atiradores.

Senado

O senador Marcos do Val (Podemos-ES) visitou as instalações da ABIN para acompanhar de perto parte do curso, na última quinta-feira – 19 de setembro. O parlamentar conversou com os instrutores e com os alunos. O congressista já atuou nos Estados Unidos como instrutor de forças especiais e é membro honorário da SWAT (Special Weapons and Tactics) no Texas.

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