Abin abre processo contra agente afastado que virou youtuber

Atualizado em 3 de fevereiro de 2026 às 18:14
O oficial técnico de inteligência Glauber Mendonça. Foto: Divulgação

A Agência Brasileira de Inteligência instaurou um processo administrativo disciplinar contra o oficial técnico de inteligência Glauber Mendonça, que mantém um canal no YouTube, “Fala, Glauber”, com mais de 3 milhões de inscritos enquanto está afastado do trabalho por licença médica.

Segundo relatos internos, o servidor segue recebendo salário e produz conteúdo de forma contínua nas redes sociais, o que motivou a abertura do procedimento. De acordo com informações reveladas pelo g1, ele foi notificado na semana passada e passou a contar o prazo para apresentar sua defesa.

A apuração avalia se houve descumprimento de normas internas ao exercer atividade pública durante o período de afastamento e possível incompatibilidade com as atribuições do cargo. No canal, ele se apresenta como policial penal federal e afirma orientar concurseiros da área de segurança.

Na prática, os vídeos concentram críticas a políticos e análises sobre segurança pública. Em um dos conteúdos citados no processo, o próprio Mendonça afirma que o foco é “bater em político, deixar político constrangido” e mostrar “a realidade da política e da segurança pública”.

Em 2024, parte desse material foi alvo de decisão judicial. A Justiça determinou a suspensão de vídeos por identificar disseminação de discurso de ódio e abuso do direito à liberdade de expressão. O histórico passou a integrar o conjunto de elementos analisados no processo administrativo.

Canal ‘Fala Glauber Podcast”,com 3,21 milhões de inscritos no YouTube

O servidor também descreve a estrutura do canal como profissional. Em publicações, afirma gravar até 16 horas por dia e relata ter uma “máquina” funcionando, com outros trabalhadores envolvidos na produção dos vídeos.

Entre as acusações que constam no procedimento estão a falta de zelo e dedicação às funções públicas e o exercício de atividade considerada incompatível com o cargo e com o horário de trabalho. A Corregedoria avalia se houve infração funcional passível de sanção administrativa.

Procurada, a Abin informou que a Lei nº 11.776 não impõe dedicação exclusiva aos ocupantes do cargo de oficial técnico de inteligência. A agência ressaltou, no entanto, que não comenta procedimentos correcionais em andamento.

“A Corregedoria da Abin informa que os processos disciplinares instaurados no âmbito da instituição tramitam sob caráter sigiloso, conforme previsto na legislação vigente e nas orientações da Controladoria-Geral da União (CGU), especialmente no que se refere à proteção da intimidade, da imagem e dos direitos das pessoas envolvidas”, afirmou o órgão, em nota.

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 28 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.