
A Acadêmicos de Niterói abre o desfile do Grupo Especial do Rio de Janeiro neste domingo (15), a partir das 22h, na Marquês de Sapucaí, com um enredo centrado na trajetória do presidente Lula. A escola, estreante na elite do Carnaval carioca, leva para a avenida o tema Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil, conforme consta no livro Abre-Alas entregue aos jurados.
De acordo com a coluna GENTE, o material oficial entregue aos jurados traz a descrição minuciosa das alas, fantasias e da construção do enredo. O documento indica que a escola decidiu não citar Jair Bolsonaro nem outros governos na apresentação, definição estabelecida antes do fechamento da versão final do livro encaminhado à comissão avaliadora.
A medida, de acordo com o conteúdo do Abre-Alas, buscou evitar qualquer questionamento sobre possível configuração de crime eleitoral. Integrantes da escola já haviam sinalizado publicamente que o foco seria exclusivamente a narrativa sobre Lula, sem referências diretas a adversários políticos.

Apesar disso, uma das alas mantém menção indireta a um integrante da família Bolsonaro. A ala 23 aborda um episódio envolvendo o deputado federal Eduardo Bolsonaro em articulação com o governo dos Estados Unidos, durante a gestão de Donald Trump.
O texto explicativo entregue aos jurados afirma: “No meio deste terceiro mandato presidencial, a soberania nacional foi colocada no centro do debate político por causa da atuação de um ex-deputado federal junto ao governo americano de Donald Trump. Houve pedido de sanções econômicas e políticas contra o país e autoridades, levantando uma crescente exaltação aos valores democráticos do Brasil. A atitude intervencionista gerou críticas contundentes e elevou a posição de Lula como defensor dos interesses nacionais. Em função disso, os componentes, de forma irônica, usam uma fantasia inspirada em uma charge feita pelo ilustrador Nando Motta para o site Brasil 247”.
A referência, segundo a descrição oficial, aparece de maneira alegórica, por meio de fantasia inspirada em charge publicada pelo ilustrador Nando Motta. A escola enquadra o episódio como parte do contexto político do terceiro mandato presidencial de Lula, sem citar nominalmente o parlamentar na apresentação artística.