Ação militar dos EUA no Brasil? Mauro Vieira é convocado pela Câmara para explicar declaração

Atualizado em 8 de julho de 2026 às 15:59
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Foto: Divulgação

A Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (8), a convocação do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, para prestar esclarecimentos sobre a posição adotada pelo Itamaraty, após o governo dos Estados Unidos classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.

A convocação foi aprovada depois que parlamentares da oposição consideraram insuficientes as respostas encaminhadas anteriormente pelo Ministério das Relações Exteriores à comissão. Como se trata de uma convocação, a presença do ministro é obrigatória, mas o não comparecimento pode configurar crime de responsabilidade.

O requerimento foi apresentado pelo deputado bolsonarista Evair de Melo (PP-ES), o documento enviado pelo Itamaraty apresentou apenas “considerações genéricas sobre a posição institucional” do governo brasileiro.

Na resposta enviada ao colegiado na semana passada, o Itamaraty afirmou que a classificação das facções pelo governo norte-americano pode abrir espaço para riscos relacionados ao uso da força militar dos Estados Unidos contra o Brasil.

Segundo o Itamaraty, isso ocorreu porque a classificação foi considerada um “ato unilateral que, portanto, não requer manifestação formal do governo brasileiro”. Além da questão relacionada à soberania nacional, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que a medida poderá produzir efeitos econômicos e jurídicos.

As ações dos EUA na região

Nos primeiros meses de 2026, os Estados Unidos ampliaram sua presença militar e política na América Latina com uma série de ações coordenadas. Em janeiro, forças especiais americanas participaram de uma operação em Caracas que resultou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro.

Em março, militares do Equador atuaram com apoio dos EUA em bombardeios contra supostos alvos do narcotráfico na província de Sucumbíos, perto da fronteira com a Colômbia.

No mesmo período, Washington lançou a Operação Escudo das Américas, coalizão voltada ao combate ao narcotráfico e à imigração ilegal, à qual aderiram governos alinhados a Donald Trump, como Argentina, Equador, Bolívia, El Salvador, Paraguai e Costa Rica.

A ofensiva incluiu ainda a expansão de acordos militares na região. O Equador assinou um novo acordo SOFA com os EUA, o Panamá firmou um memorando de cooperação militar, e Peru e República Dominicana autorizaram o envio temporário de tropas americanas.

O Paraguai aprovou um Acordo sobre o Estatuto das Forças (SOFA, na sigla em inglês) que concede imunidade a militares dos EUA e facilita a entrada de armamentos e veículos sem inspeção, provocando protestos e preocupação em Brasília devido à proximidade com a Tríplice Fronteira.

Na Argentina, Javier Milei autorizou a presença de militares americanos para o exercício Daga Atlántica, participou de exercícios navais conjuntos a bordo do porta-aviões USS Nimitz e avançou na construção de uma base naval integrada com os EUA em Ushuaia, na Terra do Fogo. Além do discurso de combate ao narcotráfico, essas iniciativas estão associadas à disputa geopolítica com a China e ao interesse em recursos estratégicos da região, como lítio, ouro, urânio, aquíferos e minerais críticos.

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 28 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.