Achavam que iam calar Lula… Por Wadih Damous

Atualizado em 10 de agosto de 2018 às 10:51
Wadith Damous. Foto: Eduardo Matysiak/Agência PT

A sistemática perseguição judicial a Lula colocou-o no centro do debate eleitoral. No programa da Band de ontem não foi ausente, foi o principal presente pela sua ausência.

Num dia em que o judiciário imoralmente pleiteia 16% de aumento, fora de qualquer padrão de decência da gestão pública, em tempos de retração e extinção de políticas públicas com congelamento orçamentário, a desembargadora relatora do mandado de segurança impetrado pelo PT para garantir presença física de Lula no programa, ousa falar em “drenagem de recursos públicos”, apontando o dedo para os advogados que insistem defender os direitos do partido e de Lula de participar da eleição. Fazer seu trabalho é, para a magistrada, drenagem de recursos públicos, mas torrar centenas de milhões com aumento de quem já ganha uma fortuna no serviço público, como ela, seria módico… ou “justo” como sugeriu um ator palaciano, mesmo que economicamente impraticável.

A contradição mostra a completa falta de apego da corporação judiciária pela realidade social do país. Vivem nas suas redomas de bem estar e, sabichona, acha que podem, seus membros, interferir com autoridade em todos os setores da vida nacional, sobrepondo-se à vontade popular.

Querem Lula morto politicamente, mas a sociedade insiste em mantê-lo vivo. Quanto mais o perseguem, mais ele resiste, mais se torna presente, a ponto de um despacho raivoso de uma juíza não fazer qualquer diferença e, só por isso, não merecer sequer ser recorrido. O panorama ficou claro para todos: no TRF da 4ª Região, em que se julgam recursos de Lula ora a toque de caixa para interferir no processo eleitoral, ora a passo de cágado para deixá-lo no limbo processual, não haverá juiz independente para fazer justiça e o que ousar sê-lo, como o desembargador Favreto que concedeu a ordem de habeas corpus para Lula fazer campanha, será implacavelmente triturado em sua moral e reputação.

Mas, por mais que espumem de raiva, exarem despachos furiosos e exibam hipócrita indignação pela frustração de seu plano ideológico, Lula segue na liderança das pesquisas eleitorais e será registrado candidato dia 15 de agosto. Será um dia de choro, ódio e ranger de dentes para a magistratura ativista lava-jateira, incapaz de exercer imparcialidade; será, porém, um dia de regozijo e de festa para a grande maioria de brasileiras e brasileiros que não se deixam intimidar pela prepotência rasteira e abusiva de agentes públicos regiamente pagos com seus suados recursos, levados pela exação fiscal de um governo ilegítimo.

Ficará a lição: a burocracia não cala o povo, ainda que incensada pela mídia interesseira, pois quem hoje dorme nas ruas por não ter como pagar transporte caríssimo para casa; quem viu seus filhos saírem da miséria para as universidades; quem experimentou ter em casa facilidades banais, mas, antes, para si inalcançáveis, como geladeira e máquina de lavar; quem padecia da seca e hoje planta no sertão com as águas do Rio São Francisco – sabe distinguir entre aquele que luta com eles para projetar o Brasil como país justo, soberano e altivo no concerto das nações e quem arrogantemente quer lhe tomar o direito de voto para exibir seu poder de coação sobre o estado e manter seus privilégios. E, enquanto o lutador, Lula, é mantido vivo e presente, o tempo dos usurpadores da soberania popular tem hora para acabar.