
Um caso ocorrido em Leiria, Portugal, na última sexta-feira (20), envolvendo um adolescente autista brasileiro de 15 anos tem provocado indignação e deve ter desdobramentos judiciais. A família de Murilo, diagnosticado com autismo severo e não verbal, relata que ele foi vítima de violência durante uma abordagem policial e anunciou que irá protocolar uma queixa-crime sobre o ocorrido.
Segundo a mãe, a cabeleireira Dira Thomasi, Murilo foi para a escola pela manhã e, por volta das 13h, ela acionou um táxi para buscá-lo, como de costume. Pouco depois, a escola entrou em contato e orientou a família a ir até o local.
Ao chegar, Dira afirma ter encontrado o filho em estado de choque, com diversos ferimentos no rosto, acompanhado pelo diretor, integrantes da equipe escolar e dois policiais.
De acordo com o relato da família, Murilo saiu da escola e, em razão de sua condição, entrou na casa de um idoso de cerca de 80 anos. O jovem, que é não verbal e tem comportamento descrito como dócil e não agressivo, teria agido por curiosidade, sem intenção de causar dano.
Sem compreender a situação, o morador acionou a polícia. Segundo o filho do proprietário da residência, Murilo deixou o local sem qualquer ferimento.
A família sustenta que a abordagem policial foi desproporcional. Segundo o relato, seis agentes imobilizaram o adolescente no chão, pressionaram seu rosto contra a superfície, colocaram algemas e o conduziram de volta à escola.
Murilo já passou por uma cirurgia grave na coluna após fraturar vértebras e hoje tem uma barra de titânio nas costas. Segundo a mãe, esse histórico torna ainda mais grave qualquer tipo de imobilização violenta.
Também há divergências entre as versões apresentadas. Os policiais alegaram que o jovem já havia sido imobilizado por moradores quando chegaram ao local, mas testemunhas negam essa informação.
Diante do estado do adolescente, uma ambulância foi acionada e Murilo foi encaminhado diretamente ao hospital. Segundo a mãe, o laudo de corpo de delito confirmou a existência de lesões compatíveis com agressão.
“Ele gritava e não foi ouvido. Precisava de cuidado e recebeu violência”, afirmou a mãe. “Meu filho é autista severo, não verbal, e nunca apresentou qualquer comportamento agressivo. Faltou preparo, faltou humanidade. Crianças vulneráveis merecem respeito, dignidade e proteção. Nunca violência.”
“Como mãe, não posso aceitar isto em silêncio. Peço justiça para o meu filho e para que nenhuma outra criança passe por isso.”
A defesa da família afirma que irá buscar responsabilização criminal pelos fatos. Além disso, Dira Thomasi faz um apelo para que o caso seja amplamente divulgado e não caia no esquecimento.
Até o momento, não houve posicionamento oficial das autoridades sobre o caso.